Leitura
"A Bíblia para todos": convite à descoberta de uma fonte de riqueza e cultura
“A Bíblia para todos é um convite aos portugueses para que, independentemente da sua fé, aprofundem o conhecimento desta fonte de riqueza que nos acompanha desde sempre”, considera Alfredo Abreu, da Sociedade Bíblica, a propósito da edição literária recentemente lançada.
Quarenta anos até chegar a esta edição não é um facto comum...
Não, não é comum. “A Bíblia para todos” foi elaborada por uma equipa de biblistas que tinham a sua vida profissional e familiar, e que por isso não estavam dedicados exclusivamente a esta edição. Ainda por cima é um projecto feito por pessoas de diferentes confissões, que procuraram ser sempre isentos e rigorosos nas suas escolhas, pelo que tiveram que conversar muito e chegar a vários consensos.
Mas temos que distinguir o trabalho da tradução, que resultou no texto mais recente da Bíblia em língua portuguesa, e o trabalho da edição, porque esta é a primeira de várias publicações do texto interconfessional, como é chamado.
Esta é uma edição literária, feita para um público crescentemente secularizado, que tem menos relacionamento com a Igreja ou com algum tipo de religião, mas que mantém uma curiosidade por razões de ordem espiritual ou intelectual.
Trata-se de um grande número de portugueses, que nós percebemos que têm interesse em conhecer a Bíblia, pelo que procurámos produzir uma edição o mais simples possível, nomeadamente através da exclusão de todos os elementos que não fazem parte do próprio texto. Os capítulos, os versículos, as notas, as divisões e os subtítulos são uma ajuda para os leitores assíduos da Bíblia, mas quem a lê pela primeira vez pode considerá-los algo intimidantes.
Esta “limpeza” pode suscitar interpretações que não são mediadas pelas Igrejas...
Essas interpretações sempre existirão. Penso que é consensual que no século XXI, com a revolução nas comunicações, toda a gente lê tudo em todo o lugar, seguindo a sua própria intuição; é um fenómeno imparável.
Os juízos sobre a Bíblia já se fazem à margem das notas explicativas. Quem se interessar por aprofundar o texto vai procurar ajuda nas comunidades de fé, junto das pessoas que têm competência e conhecimentos, noutros livros e na Internet.
Por isso preparámos um site que acompanha esta edição, onde as pessoas poderão consultar o texto, com ou sem os seus elementos de classificação. Estarão também disponíveis planos de leitura, para quem deseje ler a Bíblia do princípio ao fim, mas não de forma sequencial – por exemplo, de maneira cronológica, através das mensagens centrais ou em família.
Vamos ter o texto em áudio e em SMS; poderá ser transferido para o computador ou para uma agenda electrónica pessoal. Serão também disponibilizados mapas do Google que assinalam os lugares onde aconteceram as narrativas bíblicas. Haverá um vocabulário, bem como outros elementos que contribuem para o esclarecimento do texto.
Mas naturalmente estou crente que a maior parte daqueles que querem saber mais sobre sua a leitura, irão buscar a ajuda daqueles que já a conhecem com maior profundidade.
Esta Bíblia contribui para uma sociedade melhor?
Espero que sim. Porque uma sociedade que não conhece as suas origens e as suas fontes de influência, e ao ignorá-las pode deitar fora uma riqueza muito grande.
Os textos bíblicos estão presentes em todos nós: nos nossos valores, na nossa maneira de estar e de ver o mundo, na nossa literatura, pintura e música. Estão um pouco por todo o lado e fazem parte de nós. Podemos optar por ignorá-los, deixando essa influência seguir o seu curso de forma espontânea, ou podemos querer abraçá-los de forma intencional.
Penso que esta edição é um convite aos portugueses para que, independentemente da sua fé, aprofundem o conhecimento desta fonte de riqueza que nos acompanha desde sempre.
rm
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21.10.09








