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Lídia Jorge destaca «chamamento fraterno» que Bento XVI dirigiu «às pessoas da Cultura»

A escritora Lídia Jorge destaca o «chamamento fraterno» que Bento XVI «dirigiu às pessoas da Cultura para que se associassem no testemunho da criação como um reflexo da Criação, independentemente da sua fé».

Em depoimento enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Lídia Jorge diz esperar «que o próximo Papa prossiga no gesto cristão de não anatemizar os que não têm a certeza de Deus, mas que fazem da busca da Beleza e da Harmonia a demanda das suas vidas». 

As perguntas e as respostas, na íntegra,

 

Como avalia o papel de Bento XVI no que diz respeito à relação que procurou manter com o mundo do pensamento e das artes, nomeadamente com artistas e tendências que se situam fora da Igreja Católica?

O Papa Bento XVI procurou dirimir, em vários momentos dos seu pontificado, a tensão sempre latente entre o campo da Religião e o campo da Cultura e das Artes.

Fê-lo de vários modos, mas um dos aspetos que mais relevo prende-se com o facto de se ter assumido como um intelectual e um estudioso, e como tal, deixando que o campo do pensamento entrasse, com a sua vassoura áspera, num pavimento que por definição surge por si mesmo iluminado.

Nem sempre foi pacífico, e nem sempre foi oportuno, e porventura nem sequer terá sido justo com a História, mas sempre foi ousado. Do meu ponto de vista, ao manter-se como um intérprete do saber e ao correr o risco do erro, aproximou-se do homem comum, e ao fazer-se o balanço da sua ação, esse aspeto que a muitos perturbou, em meu entender, não o desgasta, enobrece-o. 

Outro aspeto que prezo tem a ver com o chamamento fraterno que dirigiu às pessoas da Cultura para que se associassem no testemunho da criação como um reflexo da Criação, independentemente da sua fé. Nesse aspeto, o Papa Bento XVI esteve muito à frente do espírito adormecido pelas certezas, e do medo da contaminação dos impuros, que ainda predomina em vastos setores da Igreja Católica.

 

Quais devem ser as orientações e prioridades que, no seu entender, o próximo Papa deve assumir nesse mesmo campo do pensamento e das artes? 

Espero que o próximo Papa prossiga no gesto cristão de não anatemizar os que não têm a certeza de Deus, mas que fazem da busca da Beleza e da Harmonia a demanda das suas vidas. Isto é, espero que seja um sábio. Um sábio capaz de se associar ao grande movimento de mudança de que o Mundo necessita para sobreviver com mais verdade e mais justiça, agora que a transparência as reclama todos os dias.

Estar à altura desta transformação, modificando por dentro a passividade da Igreja, é sem dúvida um desafio imenso, transformado, por via das circunstâncias, num imperativo de Cultura. De resto, a aproximação dos artistas e dos criadores à Igreja acontece não por que se chama, mas por que o exemplo atrai.

FotoLídia Jorge. Foto: Nuno Portela

 

Lídia Jorge
© SNPC | 17.02.13

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FotoBento XVI com um artista
e o cardeal Gianfranco Ravasi
na inauguração da
exposição dedicada aos
60 anos de sacerdócio
Vaticano, junho 2013

 

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