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«Segredo» de Bento XVI para ser escutado fora da Igreja foi ter sabido dialogar e recorrer à razão sem se fechar nela, diz
presidente da Comissão Episcopal da Cultura

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Pio Alves, considera que o conhecimento teológico, a racionalidade e a predisposição para o diálogo contribuíram para que Bento XVI fosse ouvido fora dos círculos católicos.

Em declarações ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura o bispo auxiliar do Porto afirmou que as «notas dominantes» das principais intervenções magisteriais do papa residiram no «amor, na verdade e na esperança», que surgem nos títulos das suas três encíclicas, bem como na «beleza» e na centralidade de Jesus Cristo.

«O aprofundamento destes temas, feito por quem é a máxima autoridade no mundo da Teologia e que, ao mesmo tempo, sabe dialogar e recorrer à razão sem se fechar nela, é o segredo fundamental para que tenha sido escutado, seguido e admirado por pessoas que não estão, pelo menos formalmente, no seio institucional da Igreja», sublinhou.

O papa, que esta segunda-feira anunciou a resignação, com efeitos a partir de 28 de fevereiro, chamou a atenção para «um dos perigos maiores com que se debate a sociedade, que é o relativismo, ao qual respondeu com o recurso à razão», assinalou.

D. Pio Alves recordou as declarações proferidas pela jornalista italiana Oriana Falacci (1930-2006) para exemplificar como o papa era escutado em universos aparentemente distantes da fé cristã.

«Sinto-me menos sozinha quando leio os livros de Ratzinger», afirmou a repórter numa entrevista ao Wall Street Journal em junho de 2005, dois meses após a eleição de Bento XVI, acrescentando: «Sou uma ateia, e se uma ateia e um papa pensam as mesmas coisas, tem de haver algo de verdade»

No entender do responsável as declarações «de uma mulher que dominava a opinião pública e que não se situava dentro da Igreja são um testemunho muito feliz do que foi e é Bento XVI para a sociedade contemporânea».

As intervenções do papa, salientou D. Pio Alves, constituem também um «convite aos fiéis para afastarem o que muitas vezes há de acessório nas manifestações da fé e centrarem a sua condição de cristãos no que é fundamental, que é Jesus Cristo».

O especialista em autores dos primeiros séculos do cristianismo realçou ainda que Bento XVI recordou as «figuras maiores da literatura cristã antiga», cujo «fundo doutrinal» está presente «na maioria dos seus escritos», como sucede particularmente com Santo Agostinho.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 14.02.13

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FotoD. Pio Alves

 

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