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Bento XVI e a Quarta-feira de Cinzas, princípio da Quaresma

Bento XVI preside a 13 de fevereiro à missa de Quarta-feira de Cinzas, naquela que será a sua última celebração de início da Quaresma como papa.

A eucaristia vai também ser a derradeira grande celebração litúrgica dirigida por Bento XVI na basílica de S. Pedro, no Vaticano, dado que a resignação que anunciou esta segunda-feira tem efeito a partir de 28 de fevereiro.

A celebração de Quarta-feira de Cinzas era habitualmente presidida pelo papa em Roma, nas basílicas de Santo Anselmo e Santa Sabina, unidas por procissão, mas o previsível aumento do número de fiéis motivou a mudança de local, segundo a agência de notícias do Vaticano.

Bento XVI entra este domingo nos seus derradeiros exercícios espirituais da Quaresma enquanto papa, retiro que decorre no Vaticano e é orientado pelo presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi.

Recordamos agora alguns excertos das homilias proferidas por Bento XVI na Quarta-feira de Cinzas, de 2006 a 2012.

 

«[Um] gesto próprio e exclusivo do primeiro dia da Quaresma, é a imposição das Cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata de mero ritualismo, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração.

Ele faz-nos compreender a atualidade da admoestação do profeta Joel, que ressoou na primeira Leitura, advertência que conserva também para nós a sua validade saudável: aos gestos exteriores deve corresponder sempre a sinceridade da alma e a coerência das obras.

De facto, para que serve, pergunta o autor inspirado, rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, isto é, do bem e da justiça? Eis aquilo que conta deveras: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia (...).

A Quaresma recorda-nos que a existência cristã é um combate incessante, no qual devem ser utilizadas as "armas" da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra qualquer forma de egoísmo e de ódio, e morrer para si mesmos para viver em Deus é o itinerário ascético que cada discípulo de Jesus está chamado a percorrer com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.»

1.3.2006

 

«O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos.

Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã "armas" espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios.

A este propósito, apraz-me ouvir de novo convosco um breve comentário de São João Crisóstomo.

"Como no findar do inverno, escreve ele, volta a estação do verão e o navegante arrasta para o mar a nave, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viandante revigorado prepara-se para a longa viagem e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma primavera espiritual forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viandantes retomamos a viagem rumo ao céu e como atletas preparamo-nos para a luta com o despojamento de tudo".»

21.2.2007

 

«A oração alimenta a esperança, porque nada como rezar com fé exprime a realidade de Deus na nossa vida. Também na solidão da provação mais dura, nada e ninguém podem impedir que eu me dirija ao Pai, "no escondimento" do meu coração, onde só Ele "vê", como diz Jesus no Evangelho (...).

Sem a dimensão da oração, o eu humano acaba por ser eco da voz de Deus, corre o risco de se reduzir a espelho do eu, de modo que o diálogo interior se torna um monólogo, dando motivos para numerosas justificações. Por isso, a oração é garantia de abertura aos outros: quem se torna livre para Deus e para as suas exigências, abre-se contemporaneamente para o outro, para o irmão que bate à porta do seu coração e pede para ser ouvido, pede atenção, perdão, por vezes correção mas sempre na caridade fraterna. A verdadeira oração nunca é egocêntrica, mas sempre centrada no próximo. (...)

Assim como para a oração, também para o sofrimento a história da Igreja é muito rica de testemunhas que se consumiram pelos outros sem se poupar, à custa de duros sofrimentos. Quanto maior é a esperança que nos anima, tanto maior é também em nós a capacidade de sofrer por amor da verdade e do bem, oferecendo com alegria as pequenas e as grandes fadigas de cada dia e inserindo-as no grande com-padecer de Cristo.»

6.2.2008

 

«Para viver esta "nova" existência em Deus é indispensável nutrir-se da Palavra de Deus. Só assim podemos realmente estar unidos a Deus, viver na sua presença, se nos mantivermos em diálogo com Ele.

Jesus di-lo claramente, quando responde à primeira das três tentações no deserto, citando o Deuteronómio: "Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4, 4; cf. Dt 8, 3).

São Paulo recomenda: "A palavra de Cristo permaneça em vós abundantemente, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais" (Cl 3, 16). Também nisto, o Apóstolo é acima de tudo testemunha: as suas Cartas são a prova eloquente do facto de que ele vivia em diálogo permanente com a Palavra de Deus: pensamento, ação, oração, teologia, pregação, exortação, tudo nele era fruto da Palavra, recebida desde a juventude na fé judaica, plenamente revelada aos seus olhos pelo encontro com Cristo morto e ressuscitado, pregada pelo resto da vida durante a sua "corrida" missionária.»

25.2.2009

 

«Compreende-se (...) o sinal penitencial das Cinzas, que são impostas sobre a cabeça de quantos iniciam com boa vontade o itinerário quaresmal. Essencialmente é um gesto de humildade, que significa: reconheço-me por aquilo que sou, uma criatura frágil, feita de terra e destinada à terra, mas também feita à imagem de Deus e destinada a Ele. Pó, sim, mas amado, plasmado pelo seu amor, animado pelo seu sopro vital, capaz de reconhecer a sua voz e de lhe responder; livre e, por isto, também capaz de lhe desobedecer, cedendo à tentação do orgulho e da autossuficiência. (...)

A Quaresma amplia o nosso horizonte, orienta-nos para a vida eterna. Estamos em peregrinação nesta terra, "não temos aqui uma cidade permanente, mas vamos em busca da futura" (Hb 13, 14). A Quaresma faz compreender a relatividade dos bens desta terra e assim torna-nos capazes de fazer as renúncias necessárias, livres para realizar o bem. Abramos a terra à luz do Céu, à presença de Deus no meio de nós.»

17.2.2010

 

«"Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração" (Jl 2, 12). Na primeira Leitura, tirada do livro do profeta Joel, ouvimos estas palavras com as quais Deus convida o povo judaico a um arrependimento sincero e não aparente. Não se trata de uma conversão superficial e transitória, mas de um percurso espiritual que diz respeito em profundidade às atitudes da consciência e supõe uma intenção sincera de correção. (...)

Todos se podem abrir à ação de Deus, ao seu amor; com o nosso testemunho evangélico, nós cristãos devemos ser uma mensagem viva, aliás, em muitos casos somos o único Evangelho que os homens de hoje ainda leem. Eis a nossa responsabilidade nas pegadas de são Paulo, eis um motivo a mais para viver bem a Quaresma: oferecer o testemunho da fé viva a um mundo em dificuldade que precisa de voltar para Deus, que tem necessidade de conversão.»

9.3.2011

 

«É nesta perspetiva salvífica que a palavra do Génesis é retomada pela Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas: como convite à penitência, à humildade, a ter presente a própria condição mortal, e não para acabar no desespero, mas sim para acolher, precisamente nesta nossa mortalidade, a proximidade impensável de Deus que, além da morte, abre a passagem para a ressurreição, o paraíso finalmente reencontrado. Neste sentido orienta-nos um texto de Orígenes, que diz: «Aquilo que inicialmente era carne, da terra, um homem de pó (cf. 1 Cor 15, 47), e foi dissolvido através da morte e de novo tornado pó e cinza — de facto está escrito: és pó e em pó te hás de tornar — é feito ressuscitar da terra.»

27.2.2012

 

© SNPC | 13.02.13

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