

O papa frisou hoje, em Bagdade, que «a diversidade religiosa, cultural e étnica» constitui «um recurso precioso de que lançar mão, e não um obstáculo a ser eliminado», e declarou que está no Iraque «como penitente que pede perdão ao Céu e aos irmãos por tanta destruição e crueldade».
«Só se conseguirmos olhar-nos uns aos outros, com as respetivas diferenças, como membros da mesma família humana», a partir da identidade humana «mais profunda», que é a de ser «filhos do único Deus e Criador», é que será possível «iniciar um efetivo processo de reconstrução e deixar às gerações futuras um mundo melhor, mais justo e mais humano», afirmou na primeira intervenção da viagem ao Iraque, que decorre entre hoje e segunda-feira.
Francisco mostrou-se consciente de que «a convivência fraterna precisa do diálogo paciente e sincero, tutelado pela justiça e o respeito do direito», não sendo «uma tarefa fácil», antes «exige esforço e empenho por parte de todos para superar rivalidades e contrastes e dialogar», a par do apoio da comunidade internacional e da «cooperação à escala global».
Somente se conseguirmos olhar uns para os outros, com nossas diferenças, como membros da mesma família humana, poderemos iniciar um eficaz processo de reconstrução e deixar às futuras gerações um mundo melhor, mais justo e mais humano. #ViagemApostólica #Iraque
— Papa Francisco (@Pontifex_pt) March 5, 2021
No discurso a autoridades, representantes da sociedade civil e corpo diplomático, o papa recordou as «feridas dos corações de tantas pessoas e comunidades que precisarão de anos para se curar», causadas pela guerra, nomeadamente entre «os yazidis, vítimas inocentes duma barbárie insensata e desumana, perseguidos e mortos por causa da sua filiação religiosa».
«Penso naqueles que perderam familiares e entes queridos, casa e bens primários, por causa da violência, da perseguição e do terrorismo; mas penso também em todas as pessoas que lutam diariamente à procura de segurança e dos meios necessários para sobreviver, enquanto aumentam desemprego e pobreza», afirmou Francisco, no palácio presidencial da capital do país.
Perante os massacres no Iraque e na Síria – este iniciado há 10 anos -, Francisco lançou um sentido apelo à pacificação: «Calem-se as armas! Limite-se a sua difusão, aqui e em toda a parte! Cessem os interesses de parte, os interesses externos que se desinteressam da população local. Dê-se voz aos construtores, aos artífices da paz; aos humildes, aos pobres, ao povo simples que quer viver, trabalhar, rezar em paz! Chega de violências, extremismos, fações, intolerâncias! Dê-se espaço a todos os cidadãos que querem construir juntos este país, no diálogo, no confronto franco e sincero, construtivo. Quem se empenha pela reconciliação e o bem comum esteja disposto a deixar os seus interesses de lado».
O propósito da viagem do papa é animar os fiéis católicos «no testemunho de fé, esperança e caridade que dão no meio da sociedade iraquiana», e saudou também «os membros das outras Igrejas e Comunidades eclesiais cristãs, os seguidores do Islão e os representantes de outras tradições religiosas».
«A Igreja católica deseja ser amiga de todos e, através do diálogo, colaborar de forma construtiva com as outras religiões, para a causa da paz. A presença muito antiga dos cristãos nesta terra e o seu contributo para a vida do país constituem um rico legado que pretende continuar a servir a todos», apontou.
A participação dos católicos «na vida pública, como cidadãos que gozam plenamente de direitos, liberdades e responsabilidades, testemunhará que um são pluralismo religioso, étnico e cultural pode contribuir para a prosperidade e a harmonia do país».
Após este encontro, Francisco encontrou-se com bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e catequistas na catedral siro-católica de Nossa Senhora da Salvação, em Bagdade, último compromisso público da agenda da viagem anunciada pelo Vaticano.
Francisco, do Vaticano ao Iraque: A grande ponte
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