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Educar com o pensar-sentir-fazer e estimular: Conselhos do papa para educadores

Educar com o pensar-sentir-fazer e estimular: Conselhos do papa para educadores

Imagem famveldman/Bigstock.com

O papa sublinhou, este sábado, a necessidade de a educação das crianças e jovens se fazer com a harmonia de três linguagens, o intelecto, o coração e as mãos, ao mesmo tempo que frisou a importância de saber estimular as melhores qualidades dos mais novos e ter discernimento quando se trata de lhes aplicar punições.

Perante cerca de 80 mil pessoas presentes no estádio de San Siro, em Milão, naquela que foi a última etapa da sua visita à cidade italiana, Francisco fez com que os jovens crismandos, com que se encontrou, lhe prometessem que não iriam permitir a agressão física e psicológica a rapazes e raparigas, fenómeno também conhecido por "bullying".

 

Pensar, sentir, fazer

«Eu aconselharia uma educação baseada no pensar-sentir-fazer, isto é, uma educação com o intelecto, com o coração e com as mãos, três linguagens. Educar para a harmonia das três linguagens, de modo que os jovens, os rapazes, as raparigas, possam pensar o que sentem e fazem, sentir o que pensam e fazem e fazerem o que pensam e sentem. Não separar as três coisas, mas todas juntas.

Não educar apenas com o intelecto: isto é dar noções intelectuais, que são importantes, mas sem o coração e sem as mãos, não serve, não serve. A educação deve ser harmoniosa. Mas pode também dizer-se: educar com os conteúdos, as ideias, com as atitudes da vida e com os valores. Mas nunca educar apenas, por exemplo, com as noções, as ideias. Não. O coração também deve crescer na educação; e também o "fazer", a atitude, a maneira de comportar-se na vida.»

 

Estímulos e castigos

«Recordo que uma vez, numa escola, havia um aluno que era um fenómeno a jogar futebol e um desastre no comportamento na aula. Uma regra que lhe tinham dado era que se não se comportasse bem, tinha de deixar o futebol, que tanto lhe agradava. Dado que continuou a comportar-se mal, ficou dois meses sem jogar, e isto piorou as coisas. Estar atentos quando se castiga: aquele rapaz piorou. É verdade, conheci esse rapaz.

Um dia o treinador falou com a diretora e disse-lhe: "Isto assim não funciona. Deixe-me tentar", e pediu-lhe que o rapaz pudesse voltar a jogar. "Experimentemos", disse a senhora. E o treinador colocou-o como capitão da equipa. Então aquela criança, aquele rapaz, sentiu-se considerado, sentiu que podia dar o melhor de si e começou não só a comportar-se melhor, mas a melhorar todo o rendimento. Isto parece-me muito importante na educação. Muito importante.

Entre os nossos estudantes há alguns que são inclinados para o desporto e não tanto para as ciências, e outros conseguem-no melhor na arte mais do que na matemática, e outros na filosofia mais do que no desporto. Um bom mestre, educador ou treinador sabe estimular a boa qualidade dos seus alunos e não negligenciar as outras. E aí dá-se esse fenómeno pedagógico que se chama transferência: fazendo bem e agradavelmente uma coisa, o benefício transfere-se para a outra. Procurar onde dou mais responsabilidade, onde mais lhe agrada, e ele irá bem. E é sempre bom estimulá-los, mas as crianças precisam também de se divertir e de dormir. Educar apenas, sem o espaço da gratuidade, não resulta bem.»

 

Agressões a colegas

«Há um fenómeno mau nestes tempos que me preocupa na educação: o "bullying". Por favor, estai atentos. E agora peço-vos, crismandos. Em silêncio, escutai-me. Em silêncio. Na vossa escola, no vosso bairro, há alguém ou alguma de quem vós gozeis porque tem aquele defeito, porque é gordo, porque é magro, por isto ou por aquilo? Pensai. E a vós agrada-vos fazê-lo passar vergonha e também bater-lhe por isso? Pensai. Isto chama-se "bullying". Por favor, pelo sacramento do Santo Crisma, fazei a promessa ao Senhor de nunca fazer isto e nunca permitir que se faça no vosso colégio, na vossa escola, no vosso bairro.»



 

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