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Revista “Reflexão Cristã” publica número dedicado a Manuela Silva

«Em Manuela Silva sempre admirei a coerência e a persistência»: é com estas palavras que o cardeal-patriarca de Lisboa inicia o texto que abre a galeria de testemunhos presente nos números 53-54 da revista “Reflexão Cristã”, que estará disponível a partir de sábado, 31 de outubro.

Na revista editada pelo Centro de Reflexão Cristã (CRC), D. Manuel Clemente recorda que desde que conheceu Manuela Silva (1932-2019) mais de perto, nos anos 80, «até aos últimos contactos, já doente de corpo mas vivíssima de espírito, foi sempre unívoca em ideias e ações».

«Coerente no modo de ver e apreciar a sociedade e a economia, a partir dos mais pobres ou empobrecidos e da dignidade a respeitar-lhes. Em qualquer análise de factos, notícias ou projetos, era sempre deles que partia e a favor deles que se pronunciava», sublinha o cardeal-patriarca, que com Manuela Silva integrou a Comissão Nacional Justiça e Paz.

A economista «desejava muito o desenvolvimento, mas na linha integral da “Populorum progressio”, encíclica de S. Paulo VI (1967), resistindo «imediatamente a qualquer proposta» que não a tivesse em conta, e integrava-se no pensamento social cristão, desde S. João XXIII a Francisco.



Manuela Silva «esteve sempre "a começar", sempre pronta a erguer novas energias, motivar outras pessoas, preparar um futuro melhor»



Apoiante da «economia de comunhão», a cofundadora e sócia número 1 do CRC «aderiu com a habitual militância à doutrina ecológica da encíclica “Laudato si’”, insistindo na criação de núcleos que a estudassem «com o entusiasmo de sempre».

«Nunca a vi abandonar uma causa em que acreditasse, nunca se distraiu nem permitiu distrações do que a motivava. Simpatia e cordialidade, que efetivamente tinha, nunca lhe afrouxaram a determinação. Podíamos não concordar num ponto ou outro, mas só podíamos respeitar-lhe a atitude», escreve D. Manuel Clemente.

O texto termina com a alusão ao facto de Manuela Silva ser «também mulher de oração»: «Oração evangelicamente inspirada, em que Deus e os outros não se desligam, pois se uniram essencialmente em Cristo. Creio que a coerência e a persistência lhe brotavam daqui».

Para Inês Espada Vieira, vice-presidente da Direção do CRC, os testemunhos publicados na revista manifestam que «a intervenção de Manuela Silva foi verdadeiramente pioneira, em temas que ainda hoje são exigentes e cuja importância nem sempre é unânime».



«Algumas das palavras mais repetidas» nos textos da “Reflexão Cristã” em referência a Manuela Silva são «coerência, fidelidade, dedicação, persistência, entrega»



«Ela foi, no trabalho público e na vida privada, de uma absoluta coerência, aliando uma visível ação cívica a uma espiritualidade profunda: desde as interpelações do Evangelho que via na realidade, os princípios de grande generosidade, atenção ao outro, empatia, mas também de exigência e rigor na investigação académica e na ação política», assinala a docente universitária.

Manuela Silva «esteve sempre "a começar", sempre pronta a erguer novas energias, motivar outras pessoas, preparar um futuro melhor. Ela não acumulou apenas méritos passados, como certamente foi, por exemplo, o de fundar o CRC; ela esteve sempre preparada para estar à frente, acompanhada, inspirada pelo amor de Deus, e inspiradora, como vemos nos seus últimos projetos, com a Rede Cuidar da Casa Comum e Fundação Betânia».

Inês Espada Vieira observa que «algumas das palavras mais repetidas» nos textos da “Reflexão Cristã” em referência a Manuela Silva são «coerência, fidelidade, dedicação, persistência, entrega».



Neste sábado será celebrada uma missa de ação de graças pelos 45 anos do CRC e memória dos sócios falecidos, na igreja do convento de S. Domingos



“Manuela Silva: uma das criadoras do CRC” (José Leitão, atual presidente da Direção do CRC), “45 anos da vida do CRC, 1975-2020 – Tributo a Manuela Silva” (Fernando Gomes da Silva), “A parábola dos talentos” (Guilherme d’Oliveira Martins), “Manuela Silva: a coerência de uma vida” (Isabel Allegro de Magalhães) e “O contributo de Manuela Silva como economista, na defesa de uma economia preocupada com a satisfação das necessidades básicas de todos” (Carlos Farinha Rodrigues) são os títulos dos primeiros textos da revista.

A edição prossegue com “Constante incentivo a ir mais além” (Rita Veiga), “Manela planeadora sublimada” (Jorge Braga de Macedo), “Manuela Silva – Profeta da resiliência” (Maria Luísa Ribeiro Ferreira), “Dedicação e entrega: Manuela Silva e a Comissão Nacional Justiça e Paz” (Pedro Vaz Patto), “Com Manuela Silva um encontro intermitente e contínuo” (Maria Regina Tavares da Silva) e “Fidelidade e persistência” (Maria do Rosário Carneiro).

As 112 páginas completam-se com “O Departamento de Pesquisa Social do Centro de Reflexão Cristã e a minha experiência de trabalho com a professora Manuela Silva” (Ana Cardoso), “Esse xaile” (Inês Espada Vieira), depoimentos de Jorge Miranda e José Mattoso, “Recensão a ‘Resiliência, criatividade, beleza’” (João Miguel Almeida, diretor da revista “Reflexão Cristã”), “Um convite à leitura do livro de Job” (Manuela Silva), os primeiros estatutos do CRC e a lista de fundadores.

Neste sábado será celebrada uma missa de ação de graças pelos 45 anos do CRC e memória dos sócios falecidos, na igreja do convento de S. Domingos, em Lisboa, às 15h30, concelebrada por Fr. Bento Domingues, o.p., P. Peter Stilwell e Fr. Filipe Rodrigues, o.p. A eucaristia pode ser seguida através do canal do CRC no Youtube. Depois da celebração serão entregues os primeiros exemplares da revista.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Manuela Silva | © Público
Publicado em 29.10.2020

 

 

 
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