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Não adores as cinzas, antes protege as brasas

O grande teólogo Karl Rahner lembrava que debaixo das cinzas de uma fogueira permanecem as brasas. O cardeal Carlo Maria Martini dizia que hoje precisamos de assumir como tarefa identificar as brasas: onde está a brasa que é o bom samaritano; onde está a brasa que é o centurião que, ao ver morrer Jesus, confessa que Ele é o Justo; onde está a brasa que é João Batista, que vem como o precursor do Messias; onde está a brasa que é Paulo, que é Pedro, que são todos os santos e santas da História. Onde está a brasa?

O papa Francisco retoma esta metáfora da brasa e da cinza, ao citar o músico Mahler, dizendo que não devemos ser adoradores de cinzas, mas protetores do fogo. Para nós, isto é um desafio muito grande, e vemo-lo claramente no testemunho do papa Francisco.

O cardeal Martini afirmava, com a sua ousadia profética, que a dimensão mais importante é a da interioridade. A Igreja não é uma moral, não é uma lei, antes de tudo é um encontro com o próprio Deus na pessoa de Jesus.

Só acedemos à dimensão da interioridade pela escuta, receção e metabolização da Palavra de Deus. Esta leitura, ler a vida à luz da Palavra, ler a Palavra à luz da vida, é o que torna a Igreja sempre jovem em cada geração.

O papa Francisco tem colocado no centro a Palavra de Deus. É muito bonito, e comove-sempre, que quando lhe fazem uma pergunta, as primeiras imagens que lhe vêm são da Palavra de Deus, [o que atesta] como ela está entranhada no seu coração de pastor. Para a Igreja que todos somos é um desafio muito grande: colocar no centro a escuta, a receção da Palavra de Deus.

E depois, os sacramentos: são força, energia do Espírito Santo de Deus, para podermos ser verdadeiramente uma Igreja peregrina.

Após dizer tudo isto, o cardeal Martini afirma: temos de nos apressar, temos de realizar um compromisso histórico no aqui e no agora, porque estamos duzentos anos atrasados.

Penso que o papa Francisco tem ajudado muito a Igreja a atualizar o seu passo com o tempo, com o tempo dos seres humanos, mas também com o tempo de Deus, com o tempo do Espírito. É interessante ouvir o que dizia o cardeal Martini para entender a novidade e a beleza que Francisco está hoje a plasmar na Igreja do nosso tempo.


 

Card. José Tolentino Mendonça
Fonte: Jesuítas Brasil
Edição: Rui Jorge Martins
Imagem: DeriyA/Bigstock.com
Publicado em 02.08.2021

 

 
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