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Cinema: Júri ecuménico do festival de Cannes distingue “A hidden life”, de Terrence Malick

O filme sobre o Beato Franz Jägerstätter, objetor de consciência austríaco que se recusou combater por Hitler na Segunda Guerra Mundial, e por isso foi morto em 1943, deixando viúva a mãe das suas filhas, foi distinguido pelo júri ecuménico do festival de cinema de Cannes, que termina hoje.

“A hidden life” (Uma vida escondida), do realizador norte-americano Terrence Malick, destaca um «profundo dilema», lê-se na justificação do júri, composto por seis elementos da Alemanha, EUA, França, Grécia e Itália.

Os jurados consideram que «a alta qualidade cinematográfica, em termos de realização, de cenário e de montagem, permite exprimir e explorar as questões que se colocam à pessoa confrontada com o mal».

«É uma narrativa universal sobre opções que temos de fazer, e que transcendem as preocupações terrestres para seguir a voz da consciência», refere o texto, enviado pela SIGNIS ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.



«As personagens que não representam Jesus, mas que estão inspiradas pela sua vida, são sempre inquietantes. Agora, a Gelsomina de “A estrada” [Fellini] ou a Walt Kowalski de “Gran Torino” [Eastwood], terá que se acrescentar Franz



Para o P. Peio Sánchez, responsável pelo departamento de Cinema da arquidiocese de Barcelona, «a figura crística oculta de Franz Jägerstätter coloca-se no centro do drama cósmico do pecado e da graça, coluna vertebral do cineasta-teólogo».

Na primeira parte das três horas de filme, o espetador conhece o paraíso das montanhas onde a família de Franz reside, seguindo-se a descida aos infernos, com a consolidação do nazismo.

Com o recrutamento obrigatório, a consciência de Franz, até então sacristão na paróquia, impõe-se sobre as suas opções, e por isso recusa ir para a guerra matar. «A atuação de August Diehl é austera, silenciosa, firme, convincente. Ele é a dignidade crente.»

A «beleza» dos enquadramentos, os diálogos evocados nos monólogos em “off”, nas cartas e orações, bem como na música de compositores sacros contemporâneos, são igualmente destacados pelo sacerdote cinéfilo.

De modo a compreender um filme que, entre o acentuar dramático da sucessão de acontecimentos, convida à contemplação, «é necessário deter-se, ir além da epiderme, insistindo nos sentidos: cor, som, símbolo e mensagem», assinala o P. Sánchez.

«As personagens que não representam Jesus, mas que estão inspiradas pela sua vida, são sempre inquietantes. Agora, a Gelsomina de “A estrada” [Fellini] ou a Walt Kowalski de “Gran Torino” [Eastwood], terá que se acrescentar Franz, um camponês oculto mas transparência de Jesus Cristo», conclui o crítico.








 

Rui Jorge Martins
Fonte (P. Peio Sánchez): Religion Digital
Imagem: D.R.
Publicado em 26.05.2019

 

 
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