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Exposição “Brincar diante de Deus. Arte e liturgia” revela obras de Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro

O Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa, inaugura esta quinta-feira, às 18h30, uma mostra de obras de artista criadas para integrar espaços religiosos ou para usar durante o culto cristão.

”Brincar diante de Deus. Arte e liturgia: Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro” expõe até 27 de outubro criações de Henri Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro, distinguida pela Igreja católica com o Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, realizadas para servirem um propósito religioso.

Serão mostrados os nunca expostos paramentos de Lourdes Castro, feitos para a capela Árvore da Vida, do Seminário de Braga (2012-2015), vestes litúrgicas realizadas por Matisse para a capela de Nossa Senhora do Rosário, em Vence, França (1949-1951), e as imagens dos vitrais que Vieira da Silva projetou para a igreja de Saint-Jacques de Reims, França, (1966), e os seus painéis para a sacristia da capela do Palácio do Marquês de Abrantes, em Lisboa (1982-1986).

«De maneiras muito distintas, com linguagens diferenciadas, há nos três artistas uma reflexão sobre a luz, a cor e a matéria, como parte da vida e da sua celebração: da explosão festiva e do fulgor da cor litúrgica da alegria em Matisse, à simplicidade do gesto, a pobreza do branco e a verdade da matéria, em Lourdes Castro», assinala o texto de apresentação.

O itinerário expositivo coloca também ao visitante algumas questões: «Que estatuto têm estas peças? São arte, se têm uma utilidade e funcionalidade? Pode vestir-se uma obra? E como fica o lugar-comum apressado que afirmou repetidamente a separação entre arte e religião no século XX? E não será a liturgia uma forma de performance (ou a origem dela)? Será a arte uma liturgia, ou a liturgia uma forma de arte?».

Citado na nota da exposição, o P. Romano Guardini (1885-1968) declarou que «viver liturgicamente, é (...) tornar-se uma obra de arte viva diante de Deus. É cumprir a palavra do Mestre e “fazer-se criança”».

Para o teólogo italo-alemão, não se trata de «trabalho, é jogo. Brincar diante de Deus. Não criar, mas ser cada qual uma obra de arte, eis a essência íntima da liturgia».

A liturgia, assinala o museu, «remete para a sensibilidade do ver, do ouvir, do tocar, do cheirar. Para o espaço que envolve o crente e para o corpo em ação. Realidades materiais que são mediação e performatividade do mistério: “sinais sensíveis da graça invisível”».

A liturgia é «uma coreografia, um jogo ritual, uma festa - uma linguagem, a um tempo, física e espiritual, aberta às culturas na sua diversidade», «forma de incarnação da relação com o divino, em cada tempo e lugar».


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva | D.R.
Publicado em 09.09.2019

 

 

 
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