

Henri Matisse, Vieira da Silve e Lourdes Castro, os criadores representados na exposição “Brincar diante de Deus: Arte e liturgia”, «são completamente diferentes pelas gerações a que pertencem e pelas formas de expressão (…) assumidas, e, no entanto, há uma maturidade tardia e fecunda, dada pela idade e pela experiência, a unir todas (…) as obras».
É com estas palavras que o crítico de arte José Luís Porfírio reflete sobre a mostra patente na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, até 27 de outubro, com curadoria de Paulo Pires do Vale e apoio do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Os trabalhos de Matisse acumulam «a experiência de toda uma vida e o desafio, amplamente ganho, de trocar o pincel pela tesoura a fim de superar difíceis condições de saúde e mobilidade», explica o texto publicado a 31 de agosto na revista do semanário Expresso.
Em “Luta com o anjo”, um dos três trabalhos de Vieira da Silva, «consegue um momento único de significado existencial e espiritual, na senda das obras que realizou depois da morte de Arpad Szenes seu marido (1985) e que revelam a continuação de um diálogo artístico e amoroso que tende a ultrapassar os (…) humanos limites».
A «exaltação dos materiais» foi atingida por Lourdes Castro, com o desenho de quatro paramentos litúrgicos, «completados por peitorais constituídos por lâminas de cores diferentes».
A mostra apresenta «três artistas muito diferentes [que] estabelecem outras tantas relações com a espiritualidade»: «Celebração da cor coisa, Matisse; celebração da pintura enquanto comunhão, Vieira da Silva; celebração da matéria na sua mais esplendorosa simplicidade, Lourdes Castro».
“Brincar diante de Deus” propõe «a libertação pela simplicidade nas vestes sacras e a pintura como aprofundamento do mistério de existir». José Luís Porfírio, que dá o máximo de cinco estrelas, conclui: «Esta exposição é muito simples e diz tudo».