Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Breve tempo espiritual para evocar, em casa, uma pessoa próxima

Fazer memória de uma pessoa querida é uma necessidade universal: é redizer o lugar que ocupava na nossa vida, e que nela guardará. Este percurso espiritual propõe a partilha do afeto que cada membro da família ou grupo de amigos tem pela pessoa.

A evocação, que pode ocorrer na data de aniversário do nascimento para a vida terrena ou para a vida eterna, por ocasião da comemoração dos Fiéis Defuntos, ou noutro momento em que a ausência se faz mais notar (por exemplo, no Natal), visa apresentar a Deus uma ação de graças pela pessoa, ao mesmo tempo que se reza por ela e se congregam forças de apoio mútuo para ajudar a minorar o sofrimento pela ausência.

O esquema sugerido, adaptado para ser celebrado em casa, neste tempo em que estão restringidas as romagens ao cemitério devido à pandemia, pretende ser, meramente, uma base a partir da qual os orantes podem introduzir os melhoramentos que desejarem.

 

Quando, duração

Durante uma reunião que junta a família e/ou os amigos do defunto.
De 20 a 30 minutos, prosseguindo em torno a uma refeição ou merenda.

 

O que preparar

Espaço de oração: sobre uma mesa coloque uma cruz, velas, uma Bíblia, flores. Preveja bancos (ou assentos no chão) em número suficiente. Para materializar a presença da pessoa ausente, destaque uma sua fotografia, e, se o desejar, um objeto pessoal (recordação do Batismo, um ícone/imagem que lhe era querido, um instrumento musical…).

Uma recordação a oferecer a cada participante; por exemplo, um marcador ou postal decorado com um versículo bíblico. Prever também um caderno onde cada pessoa pode redigir um testemunho.

Para facilitar a oração comum, pode distribuir-se uma folha ou caderninho com as leituras bíblicas, preces e cânticos – todos a escolher antecipadamente; estes, de preferência, que a maioria das pessoas saiba entoar.

 

1. Início da oração

Todos de pé. O animador (ou outra pessoa) acende a vela.

Animador: «Senhor, estamos reunidos no teu amor, mas o nosso amigo (filho/irmão/familiar…) N. deixou-nos. Na fé, acreditamos que ele vive junto de ti. O teu amor venceu toda a morte! Concede-nos a força e a alegria de te dar graças pela vida de N., as boas recordações que guardamos nos nossos corações. Bendito sejas, Deus dos vivos! Juntos, aqueles que o desejarem podem persignar-se.»

Todos: «Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen».

Cântico.

 

2. Escutar a Palavra de Deus

Animador: «Sim, o Senhor é a nossa esperança e a nossa paz. Para além da nossa tristeza, ele rediz-nos o seu amor que, um dia, nos juntará junto dele».

Todos se sentam, à exceção do leitor.

Leitor: «Leitura da Primeira Carta de S. Paulo aos Tessalonicenses. “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram” [4,13-14]».

Animador: «N. amava a vida, ele estava habitado por esta esperança. Cantemos, juntos».

Todos se levantam para cantar “Aleluia” e escutar a leitura do Evangelho.

Leitor: Leitura do Evangelho segundo S. João: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida” [5,24]».

Todos se sentam.

Animador: «Proponho-vos um tempo de partilha, inspirado nestas palavras da Bíblia. Jesus promete a vida eterna, uma vida que começa já aqui, porque provém do amor de Cristo por todos os seres humanos. Este amor, também N. irradiava. Como nos lembramos do seu amor por nós? Se o desejarem, podem contar um episódio simples, ou um momento forte que vos tenha marcado. E sobre estas leituras bíblicas, que nos dizem sobre a vida e a morte?».

Testemunhos livres.

Animador: «Muito obrigado por estes belíssimos testemunhos. Juntos, cantemos!» [retoma-se o Aleluia ou um cântico de alegria e esperança].

 

3. Dar graças

Uma pessoa distribui o marcador ou postal.

Animador: «Guardemos este marcador/postal em memória de N., do seu sorriso e do seu amor. Agradeçamos ao Senhor pela sua presença nas nossas vidas. Nós o levamos na nossa oração.»

Leem-se as intenções de oração, uma por pessoa, ou sugerem-se preces espontâneas, ou combinam-se as duas opções. Após cada intenção, entoar um refrão.

Animador: «Em comunhão com N., e retomando as palavras de Jesus, dizemos com alegria: Pai nosso, que estais nos céus…».

 

4. Recordar

Animador: «O nosso tempo de oração está a chegar ao fim. Estamos certos de que N está entre nós neste dia, através desta união misteriosa que a oração permite. Confiemo-lo à ternura de Maria, nossa Mãe: Avé Maria, cheia de graça…» (e/ou cântico).

Animador: «Acolhe, Senhor, a nossa oração, e que N. repouse em ti na paz. Guarda-nos unidos na sua memória. E digna-te conceder-nos a tua bênção, Tu que és Pai, Filho e Espírito Santo».

Todos: «Ámen».

Animador: «Convido-vos a escrever no Livro Memorial. E a partilhar uma refeição.

Uma criança apaga a vela.


 

In Le Pèlerin
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Old Man Stocker/Bigstock.com
Publicado em 02.11.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos