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Vaticano organiza conferência sobre inovações médicas e papel da espiritualidade na medicina

O cristianismo acolhe a pesquisa científica, e a fé dialoga com a ciência: estas são das intuições inspiradoras da quinta conferência organizada pelo Conselho Pontifício da Cultura, do Vaticano, para colocar em comum as mais recentes inovações no campo da medicina, cuidados de saúde e prevenção contra a doença.

Marcado para 28 a 30 de maio, no Vaticano, o encontro, coorganizado pela Fundação Cura, visa explorar as relações entre mente, corpo e alma, através da participação de médicos, cientistas, líderes religiosos, especialistas em ética, legisladores, filantropos e influenciadores de renome mundial.

Os conferencistas procurarão «catalisar a criação de novas abordagens e parcerias interdisciplinares para curar doenças e melhorar a saúde, o bem-estar e a compreensão da singularidade humana», refere o Conselho Pontifício da Cultura, adiantando que está agendada um encontro com o papa Francisco a 29 de maio.

As consequências antropológicas e o impacto cultural dos avanços tecnológicos estarão também em debate, a par do da religião, fé e espiritualidade, assim como a interação da mente, corpo e alma, em busca de convergências entre as humanidades e as ciências naturais.



«É necessário que o cientista evite a tentação de que só a ciência é sinónimo de explicação da totalidade do ser e da existência, do significado e dos valores»



Ao convocar peritos de vários locais do globo, o Conselho Pontifício da Cultura consolida a sua missão de enriquecer a experiência humana, ao juntar pessoas de diferentes contextos e religiões e, simultaneamente, procurar defender os direitos e aspirações das populações mais vulneráveis, na convicção de que «todos», como sublinha o papa, «podem colaborar como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades».

O congresso visa «inspirar as pessoas a serem mais empáticas, cuidadoras e prestáveis umas com as outras», e desencadear a campanha global “Unidos para prevenir”, promovendo medidas que reduzam a incidência de doenças como o cancro e o crescimento de comunidades mais saudáveis, através da educação.

Traduzir a complexidade científica em linguagem acessível para incentivar o debate e informar o público em geral dos avanços na ciência médica, explorar a área das ciências neurocognitivas tendo como referência os conceitos tradicionais de consciência e identidade humana, discutir os efeitos da tecnologia e as suas implicações éticas, culturais, religiosas e societárias constituem igualmente prioridades da iniciativa.

Os cerca de 80 oradores são ainda desafiados a discutir perspetivas holísticas no tratamento de doenças e os aspetos emocionais relacionados com doenças crónicas, e a formarem novas parcerias públicas, privadas e académicas para lidar com as principais questões relacionadas com a saúde e com o apoio a comunidades sustentáveis.



«Para melhorar verdadeiramente a humanidade e a saúde humana, precisamos de promover um diálogo entre ciências naturais e humanidades, para identificar convergências e incentivar a colaboração multidisciplinar»



«É necessário que o cientista evite a tentação de que só a ciência é sinónimo de explicação da totalidade do ser e da existência, do significado e dos valores», declarou o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, que destacou a reflexão feita por teólogos e filósofos sobre as implicações profundas da investigação científica.

A presidente da Fundação Cura, Robin Smith, sublinhou que é «criticamente importante criar um “hotspot” para o diálogo interdisciplinar e a colaboração», e acrescentou que a «conferência é como Davos, mas focada nos cuidados de saúde e bem-estar».

«Para melhorar verdadeiramente a humanidade e a saúde humana, precisamos de promover um diálogo entre ciências naturais e humanidades, para identificar convergências e incentivar a colaboração multidisciplinar. É importante compreender como a religião, ou práticas espirituais mais amplas, podem influenciar o nosso bem-estar e saúde», observou o responsável pelo Departamento de Ciência e Fé do Conselho Pontifício da Cultura, Mons. Tomasz Trafny.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Conselho Pontifício da Cultura
Imagem: darrenmbaker/Bigstock.com
Publicado em 06.03.2020

 

 

 
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