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Vaticano exibe dez grandes tapeçarias de Rafael na capela Sistina

Pela primeira vez desde 1983, as dez grandes tapeçarias de Rafael evocadoras das vidas de S. Pedro e S. Paulo serão exibidas na capela Sistina, suspensas ao nível do olhar, sob o teto de Miguel Ângelo, como era a intenção original.

A iniciativa do Vaticano, agendada para 17 a 23 de fevereiro, visa homenagear o famoso mestre renascentista no ano em que se assinala o 500.º aniversário de sua morte, 37 anos após a última exposição conjunta, por ocasião do meio século do nascimento.

Rafael, que morreu aos 37 anos, nunca viu reunidas as dez peças, que foram tecidas durante quatro anos, em Bruxelas, na notável e bem-sucedida oficina de tapeçaria de Pieter van Aelst, com seda, lã e fios de prata dourados.

O pintor pintou os desenhos usados para criar as tapeçarias – sobreviveram sete, expostos no museu Victoria e Albert, em Londres - quando decorava aquelas que são hoje conhecidas como as Salas de Rafael dos Museus do Vaticano, tendo permanecido em Roma enquanto as tapeçarias eram manufaturadas.

As primeiras sete tapeçarias foram exibidas na capela Sistina a 26 de dezembro de 1519, e o conjunto completo foi apresentado durante pouco tempo, antes da morte, em 1521, do papa Leão X, que as encomendou.



«Recorrendo a capacidades artesanais extraordinárias, as tecelãs da escola de Pieter Van Aelst bordaram finos fios de seda com uma folha dourada, para ilustrar cenas da Bíblia»



As peças foram empenhadas para pagar o funeral pontifício, tendo a seguir uma história turbulenta: recuperadas um ano depois, para a entronização do papa Adriano VI, foram saqueadas em 1527, tendo regressado, após múltiplas vicissitudes, à coleção papal entre 1544 e 1554.

Em 1798 foram novamente saqueadas, durante a ocupação francesa de Roma, sendo compradas, ao desbarato, por um comerciante. Voltaram a ser readquiridas em 1808, regressando à coleção do Vaticano.

«Recorrendo a capacidades artesanais extraordinárias, as tecelãs da escola de Pieter Van Aelst bordaram finos fios de seda com uma folha dourada, para ilustrar cenas da Bíblia», explicou a teóloga norte-americana Jill Alexy.

As cenas representadas nas tapeçarias narram milagres ocorridos na vida dos dois apóstolos, «unindo os seus esforços humanos como ministros da Palavra e do Altar, à atividade transcendente do Espírito Santo». «É uma maneira incrivelmente bela de ilustrar a teologia bíblica e a pneumatologia [tratado sobre o Espírito Santo] que encontramos nos Atos dos Apóstolos», acrescentou.

Quando colocado no «impressionante cenário» da capela Sistina, o «efeito visual é o de olhar para cima através do ministério e dos milagres dos apóstolos», começando no «registo mais baixo».



«Nos nossos próprios tempos tumultuados, esta exibição única será uma nova maneira de todos os que procuram participar ativamente da vida de fé e do bem comum, serem formados e caminharem em direção à fecundidade»



«É claro que esta dramática viagem pictórica através da história da salvação» proporcionada pelos frescos de Miguel Ângelo «não pode ser considerada completa sem as tapeçarias, que são parte integrante de toda a experiência sensorial», observou.

Jill Alexy está convicta de que «um momento tranquilo de oração e reflexão, inspirado pelas belas cenas e belos fios dourados, será uma experiência extraordinária para todos aqueles que têm a oportunidade de viver a capela dessa maneira».

A investigadora considera que a capela vai voltar a propor, de maneira completa, a sua missão de educar e formar, de pedir arrependimento e renovação, para as pessoas que se encontrarem no seu interior.

As tapeçarias «devem ter sido uma experiência muito formativa e motivacional para os diáconos, padres, bispos, cardeais, papas e, claro, os leigos, que se reuniram na capela Sistina depois de as tapeçarias terem sido exibidas».

No contexto da reforma protestante que estava a fazer caminho, «deve ter sido uma ferramenta útil ver as tapeçarias, ver os frescos, andar no chão cosmatesco e ouvir ao canto da oração que acompanhou toda a experiência».

«Nos nossos próprios tempos tumultuados, esta exibição única será uma nova maneira de todos os que procuram participar ativamente da vida de fé e do bem comum, serem formados e caminharem em direção à fecundidade», assinalou Jill Alexy, que antecipa a «renovação espiritual» daqueles que tiverem a oportunidade de ver as tapeçarias e os frescos de dois dos maiores mestres de todos os tempos.


 

Inés San Martín
In Crux
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 06.02.2020

 

 
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