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Tráfico de seres humanos e o «grito dos migrantes»: Um dia de reflexão, um mês de oração

O dinheiro que alimenta o tráfico das pessoas está «manchado de sangue», afirma, sem meias palavras, o papa Francisco na vídeo-mensagem na qual apresenta a intenção de oração para fevereiro, intitulada “Escutar o grito dos migrantes”, por serem muitas vezes vítimas da «corrupção daqueles que estão dispostos a tudo para enriquecer».

No vídeo, uma mala repleta de notas bancárias, marcadas como “dirty money”, transfiguram-se em imagens de crianças escravizadas, barcos de migrantes e mulheres obrigadas à prostituição.

«Rezemos para que o grito dos irmãos migrantes, caídos nas mãos de traficantes sem escrúpulos», seja «escutado e considerado», apela Francisco, no vídeo que antecede o dia mundial de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que ocorre no próximo sábado.

A ONU estima que existam 40 milhões de vítimas do tráfico no mundo, mais de 70% das quais são mulheres ou crianças. A exploração sexual é a principal finalidade do desprezo pelo ser humano (59%), seguida pela laboral (34%), com a primeira a concentrar-se na Europa e América, e a segunda na África e Próximo Oriente, referem dados recolhidos em 2016/17 pelas Nações Unidas, a partir de 142 estados membros.

O crescimento do tráfico de pessoas, relacionado, não exclusivamente, a regiões onde há conflito armado, tem sido acompanhado pelo número de traficantes condenados, embora permaneçam vastas áreas de impunidade na África e Ásia.



«Cada vez mais precisamos de estar atentos e não nos deixarmos distrair com as peregrinações que nos alheiam da terra que pisamos e nos impedem escutar o clamor das vítimas, nos lugares e nos meios mais insuspeitos»



Promovido pela Talitha Kum, rede mundial da vida consagrada católica,o dia de oração e reflexão assinala-se, desde 2015, a 8 de fevereiro, dia da memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa que foi raptada aos 8 anos e várias vezes vendida como escrava.

«O tráfico de seres humanos é hoje, talvez mais do que outrora, uma realidade transversal ao mundo inteiro, levado a cabo por pessoas e em lugares mais insuspeitos», e «a exploração convive perfeitamente ao nosso lado, sem nos apercebermos disso», escreveu a Júlia Bacelar, das Irmãs Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade,  instituição da Igreja pioneira na luta contra o tráfico humano,

Em texto igualmente publicado em 2014 na página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, a religiosa alertou: «Quando vemos, ouvimos e lemos sobre a exploração infantil (laboral e sexual) algures em países asiáticos, respiramos fundo e ficamos com a consciência pacificada, pois a distância geográfica põe-nos essa triste realidade - loin des yeus, loin du coeur».

«Cada vez mais precisamos de estar atentos e não nos deixarmos distrair com as peregrinações que nos alheiam da terra que pisamos e nos impedem escutar o clamor das vítimas, nos lugares e nos meios mais insuspeitos», assinalou.








 

Rui Jorge Martins
Fonte: L'Osservatore Romano
Imagem: Tinnakorn/Bigstock.com
Publicado em 06.02.2020

 

 
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