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Teologia deve trabalhar «na fronteira com outras perspetivas da realidade»

João Manuel Duque, que nesta quinta-feira, 15 de setembro, recebe em sessão pública e aberta o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, no Espaço Vita, em Braga, às 21h30, considera que a «função» dos teólogos é «trabalhar, não só no âmbito académico dos saberes, mas também na fronteira com outras perspetivas da realidade».

Em entrevista ao suplemento “Igreja Viva”, do “Diário do Minho”, o teólogo destaca que o Prémio, atribuído desde 2005 pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, «ganhou uma cidadania bastante significativa no país, no âmbito da cultura e no âmbito eclesial», e nunca esperou ser um dos distinguidos.

«O Prémio, até agora, nunca foi atribuído a teólogos. Manoel de Oliveira, Eduardo Lourenço, etc., são nomes com um impacto muito grande na vida cultural, nacional e internacional. Fui seguindo mais ou menos as atribuições deste prémio e nunca imaginei que pudesse acontecer isto», afirmou.

O pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa assinala que teve sempre «interesse em estabelecer relações com a cultura, com alguma literatura e, sobretudo, com o pensamento filosófico português e também internacional. No fundo, que a Teologia tivesse algum impacto no ambiente cultural»; mas acrescenta: «Francamente, não sei se tem tanto impacto assim».

«Se na Teologia não conseguirmos acolher os desafios dessa diversidade de perspetivas e diversidade de saberes, não estamos a prestar um bom serviço à Teologia», aponta, antes de aprofundar: «Nós temos um paradigma, que é um paradigma evangélico, da própria forma de estar de Jesus Cristo, que fez tudo menos estabelecer fronteiras demasiado rígidas e demasiado pré-estabelecidas».

Referindo-se à relevância da Teologia, João Manuel Duque sustenta que o país é «um bocadinho alheio sobretudo ao mundo teológico», embora a «ignorância» relativamente à disciplina seja «inferior» à que havia quando era estudante: «Portugal transformou-se bastante nesse contexto».



A Teologia académica «é um exercício muito importante para a Igreja. Primeiro porque tem que conseguir discutir a fé no nível académico. A capacidade de perceber o fundamento da fé, de perceber o nível antropologicamente profundo do que é acreditar, o significado que isso pode ter para um humano, de qualquer nível, sem precisar de entrar pela superstição»



Ainda sobre a importância da Teologia, interroga: «Para que queremos nós que as pessoas saibam coisas se não ajudam os humanos a viver de forma mais humana ou a preparar um futuro mais interessante?». E sublinha: «Assim, a Teologia ajuda a que a fé cristã dê um contributo significativo para esse problema que é de todos os humanos. Se isso não se verificar, então não faz sentido a fé cristã nem faz sentido a Teologia».

O percurso inusual que trilhou na Igreja é também mencionado na entrevista: «Fiz uma escolha de vida um bocado estranha para o habitual. Não sendo clérigo, dediquei-me à Teologia num país que não tem tradição de teólogos leigos. Não fui dos primeiros em Portugal a fazer isso, mas não é habitual».

«Tendo em conta isso, acho interessante o reconhecimento da validade da minha escolha, quer para o ambiente cultural português, quer para o ambiente eclesial. Em certo sentido, é um reconhecimento de uma opção que valeu a pena», disse.

Para João Manuel Duque, a Teologia académica «é um exercício muito importante para a Igreja. Primeiro porque tem que conseguir discutir a fé no nível académico. A capacidade de perceber o fundamento da fé, de perceber o nível antropologicamente profundo do que é acreditar, o significado que isso pode ter para um humano, de qualquer nível, sem precisar de entrar pela superstição».

O investigador faz votos para que a Conferência Episcopal Portuguesa, «responsável por toda a organização pastoral da Igreja em Portugal, reconheça que o trabalho teológico também académico é um trabalho importante na vida quotidiana».

«Eu nunca poderia ter dedicado os últimos 25 anos da minha vida à Teologia se não houvesse uma Faculdade em Portugal. Damos um contributo não só para a Igreja em Portugal, mas para a Igreja Universal e quanto mais nos abrirmos para o exterior, mais a Igreja em Portugal também beneficia disso com horizontes mais abertos. Este prémio pode significar também o apreço pelo trabalho desenvolvido pela Faculdade de Teologia e pela da Universidade Católica», sublinha.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Igreja Viva
Imagem: D.R.
Publicado em 15.09.2022 | Atualizado em 16.09.2022

 

 

 
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