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«Sou uma pequena igreja (não uma grande catedral)»

O Evangelho de hoje (Mateus 18,15-20) parece dirigir-se aos conflitos na Igreja das origens, aplicando algumas das palavras de Jesus sobre o perdão. Mateus escreve para uma comunidade feita de judeus e gentios convertidos, e apesar da ênfase de Jesus na reconciliação, estavam a levantar-se problemas que requeriam intervenção, e a mediação nem sempre resolvia as questões. Se as desavenças ameaçavam dividir a comunidade, por vezes era melhor expulsar pessoas do grupo. O que veio a ser conhecido como «excomunhão», especialmente sobre matérias teológicas, já acontecia na Igreja nascente.

Dado que a reconciliação é parte da missão da Igreja, as divisões internas foram sempre um problema sério. Historicamente, os conflitos que continuaram a cindir a Igreja em numerosas seitas, tradições e denominações têm sido um dos maiores obstáculos ao testemunho cristão. O diálogo ecuménico é um projeto em curso, que discretamente tenta lançar pontes sobre as várias brechas na teologia e na cooperação institucional.

A passagem de hoje termina com algumas das mais tranquilizadoras palavras de Jesus sobre o que é preciso para se ser Igreja. Se dois crentes conseguem concordar em algo, a sua oração será respondida. Se mesmo dois ou três se juntarem em nome de Jesus, Ele estará com eles. Esta promessa afirma a visão que foi apreendida num dos poemas mais conhecidos de e.e. cummings, “sou uma pequena igreja”, que descreve o poder de um buscador normal em viver a presença do mistério de Deus no mundo.

«sou uma pequena igreja (não uma grande catedral)
longe da opulência e da imundície das apressadas cidades
- não me preocupo se dias mais breves se tornam brevíssimos,
não lamento quando sol e chuva fazem abril»

A grande resiliência do Evangelho é que existe em todo o coração que o acolhe, e sobrevive até quando tentativas institucionais de organizar a sua missão vacilam e falham em viver o seu espírito.

Os crentes tiveram uma oportunidade de experimentar ser pequenas igrejas durante a pandemia. A necessidade da comunidade foi óbvia, mas o essencial da fé deve ser assegurado por cada um de nós, para enformar o que nos tornamos juntos.

O desejo de estar juntos é o fruto de uma renovação pessoal do coração que tem acontecido em muitas pessoas durante este difícil tempo de separação. Jesus é o centro que nos mantém unidos, e está sempre disponível onde quer que haja oração, e até mesmo pequenos grupos que se reúnem em seu nome.


 

Pat Marrin
In National Catholic Reporter
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: byrdyak/Bigstock.com
Publicado em 12.08.2020

 

 
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