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«Rocha do ateísmo» remonta ao sofrimento causado pelo sismo de 1755 em Lisboa, considera cardeal

A pandemia coloca grandes desafios ao mundo sanitário, económico e social, mas também às religiões, e em particular à fé cristã, considera o cardeal que preside ao Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Ao avizinhar a situação causada pelo Covid-19 àquela que se verificou após o terramoto que devastou Lisboa em 1755 e provocou cerca de 100 mil mortos, Kurt Koch acentuou que o sofrimento e a morte de tantas pessoas «representam o restabelecimento da discussão da existência de Deus muito maior do que qualquer teoria filosófica do Iluminismo ou de qualquer tratado epistemológico».

A expressão que define o sofrimento como «rocha do ateísmo permanece indissoluvelmente ligada a Lisboa», e à luz da pandemia atual «adquiriu uma nova relevância» e coloca às Igrejas perante a questão de como se devem encarar essas inquietações religiosas.

O pensamento do cardeal foi apresentado esta sexta-feira, durante a conferência “Igreja e pandemia: desafios e perspetivas”, que, pela Internet, assinalou o quinto aniversário do encontro, em Havana, entre o papa Francisco e o metropolita cristão ortodoxo Kirill.

«A pandemia do coronavírus transformou a quadragésima litúrgica [Quaresma] numa quarentena decretada pelo Estado. Agora é nossa tarefa transformar a quarentena numa verdadeira “quadragésima”, isto é, num tempo de jejum e caridade, num tempo de graça e de oração», frisou o prelado alemão.

Para Kurt Koch, a situação atual tem paralelismos com a história da revelação de Deus, na Bíblia: «A pandemia fez-nos voltar, de maneira nova, ao tempo do deserto, um tempo em que estamos a ter as mesmas reações do povo de Israel».

«Mas temos também de recordar que, a seguir, Israel, com um olhar retrospetivo, entendeu os quarenta anos da sua errância pelo deserto como o tempo do primeiro amor de Deus por Israel, e de Israel por Deus. «Hoje, analogamente, o tempo da crise da pandemia pode tornar-se «um tempo de conversão», assinalou.

O arcebispo Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, sublinhou que os fiéis exigem «uma resposta que ao mesmo tempo esteja repleta de inteligência e seja capaz de responder à ansiedade e ao medo que a pandemia gerou».


Edição: Rui Jorge Martins
Fontes: L'Osservatore Romano, SIR
Publicado em 13.02.2021

 

 
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