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«Recordar que o corpo é espiritual e que a vida humana tem densidade espiritual é um dever da Teologia no espaço público»

Imagem © Marco Ambrosi

«Recordar que o corpo é espiritual e que a vida humana tem densidade espiritual é um dever da Teologia no espaço público»

A Igreja «corre o risco de ficar simplesmente pelo primado, ou quase o exclusivo, da palavra», deixando que «o corpo e os seus movimentos, os seus ritmos e as suas feridas, fiquem muitas vezes ausentes da prática litúrgica e da prática da oração», considera o provincial dos Jesuítas em Portugal.

Para o padre José Frazão Correia, um dos intervenientes da 5.ª Jornada de Teologia Prática que hoje decorre na Universidade Católica, em Lisboa, «recordar que o corpo é espiritual e que a vida humana tem densidade espiritual é um dever da Teologia no espaço público».

Em declarações à margem da conferência, o responsável pela Companhia de Jesus constatou a «separação, por vezes esquizofrenia, entre a vida quotidiana, com os seus ritmos, a sua pressão», e «o espiritual», remetido «para o fim de semana, para o exercício físico, para o tempo das férias».

O quotidiano de um habitante da «cidade contemporânea» confronta-se com a «dificuldade de manter a tensão entre o corpóreo, como lugar do sentido, do espiritual, da verdade das coisas para os crentes de Deus, e o espaço, dito espiritual, que parece ter pouco a ver com a vida de todos os dias».

A Teologia pode participar no debate cultural ajudando «a liturgia e a ação litúrgica a explorar todas as suas possibilidades linguísticas», designadamente na valorização do corpo.

«Quando temos uma doença, percebemos que o corpo não é meramente um invólucro da alma, mas é um lugar profundamente espiritual, porque a dor e a alegria, as feridas e as exultações do corpo são profundamente espirituais», frisou.

Além de participar em fóruns com personalidades de pensamento que não coincide com o pensamento cristão, a Igreja é chamada a um «trabalho interno», «não simplesmente de inventar novas linguagens para dizer o de sempre, como se a verdade estivesse algures num céu platónico que depois tem de ser apenas traduzida».

«A liturgia é um dos campos que me parece muito pouco explorado, sobretudo no rito latino, ao mesmo tempo que pode correr o risco de ser uma arma de arremesso de uns contra os outros, consoante o entendimento que têm das verdades da fé», apontou.

Para José Frazão Correia, é preciso investir na «qualidade dos gestos»: Habitualmente sentimos a necessidade de explicar todos os gestos litúrgicos; mas se estes fossem bem feitos, não precisariam de explicação, como uma criança não precisa que o pai lhe explique que quando a sua boca toca na sua face está a dizer que a ama; a criança, pela qualidade do gesto, percebe, sem que lhe expliquem, que está a acontecer algo de profundamente vital para si».

«A linguagem litúrgica devia ser muito parecida com a linguagem do afeto entre pais e filhos», acrescentou.

A 5.ª Jornada de Teologia Prática, organizada pelo Instituto Universitário de Ciências Religiosas, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, reflete sobre o tema “As intrigantes linguagens da fé”.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 14.11.2014

 

 
Imagem © Marco Ambrosi
O quotidiano de um habitante da «cidade contemporânea» confronta-se com a «dificuldade de manter a tensão entre o corpóreo, como lugar do sentido, do espiritual, da verdade das coisas para os crentes de Deus, e o espaço, dito espiritual, que parece ter pouco a ver com a vida de todos os dias
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