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“Querida Amazónia”: Um ano a plantar sementes e ver crescer os frutos

O papa lançou sementes sobre terra fértil com “Querida Amazónia”, a exortação após o sínodo “Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” (outubro 2019), publicada a 12 de fevereiro de 2020, que continua a fazer crescer raízes e despontar frutos nos seus quatro grandes sonhos: social, cultural, ecológico e eclesial.

Para Patricia Gualinga, líder indígena equatoriana do povo sarayaku e consultora do Sínodo, «o entusiasmo ainda se sente nas bases da Igreja. Especialmente, alguns bispos começaram a falar nas homilias sobre a proteção da Amazónia», e os povos indígenas sabem que «contam com um aliado», Francisco, «um papa que optou pelos mais pobres».

João Gutemberg, secretário executivo da Rede Eclesial Panamazónica, considera que “Querida Amazónia” «precisa de dar a conhecer-se com maior ímpeto», até porque «responde ao documento final» da assembleia sinodal, como também ao documento que a preparou e a todas as consultas que a antecederam,

Alirio Cáceres, teólogo que centra a sua reflexão sobre a ecologia e é assessor da Cáritas da América Latina, afirma: «Os sonhos desta exortação ligam-se à "Fratelli tutti", e, como irmãos, cantamos “Laudato si’” com “Evangelii gaudium” ao ritmo da “Episcopalis comunio” na nossa querida casa comum. Ali temos uma pequena síntese de toda a linha magisterial na Igreja».



«Quero enviar um SOS a partir da mensagem profunda proferida pelo papa Francisco no Sínodo Amazónico, em Roma. Ele exigiu superação em todas as ações pela Amazónia. Em 2020, e do pouco que temos de 2021, não estamos à altura desse pedido. Esta emergência está a pôr a nu a pior desigualdade e discriminação para com os mais fracos»



Daniela Cannavina, secretária geral da Confederação Latino-americana de Religiosos, explica que «há uma tarefa pendente para continuar a fortalecer processos num tempo não muito amplo, e de maneira comunitária».

«A vida consagrada sente-se fortemente convocada uma vez mais a despertar para a Amazónia, sem nunca deixar de sonhar, já que os sonhos nos convertem em profetas. Continuamos a estimular muitas congregações a formar equipas itinerantes para continuar a dinâmica de escuta das realidades amazónicas, à luz do processo sinodal», adianta.

Alba Laurita, religiosa que passou grande parte da vida na Amazónia, acentua que a região foi «duramente atingida» durante a pandemia, tendo também causado a suspensão de muitas iniciativas que surgiram após o sínodo: «Este vírus veio ensinar-nos como somos vulneráveis, e como somos necessitados de oxigénio».

Gregorio Díaz, cacique do povo kurripako, na Venezuela, e coordenador geral da associação que reúne organizações indígenas da Cuenca Amazónica, lança um apelo: «Quero enviar um SOS a partir da mensagem profunda proferida pelo papa Francisco no Sínodo Amazónico, em Roma. Ele exigiu superação em todas as ações pela Amazónia. Em 2020, e do pouco que temos de 2021, não estamos à altura desse pedido. Esta emergência está a pôr a nu a pior desigualdade e discriminação para com os mais fracos».

O indígena peruano Delio Siticonatzi, do povo ashánica, lamenta que a mensagem da exortação não tenha chegado com força suficiente à sua comunidade: «A chegada de missionários às regiões de selva tornou-se muito difícil durante a quarentena».

Apesar destes obstáculos, «o caminho empreendido não tem marcha atrás», acentua Tania Ávila Meneses, indígena boliviana, teóloga quéchua e integrante da Comissão de Ecologia Integral da Confederação Latino-Americana de Religiosos.

A responsável vinca que é necessária a escuta ativa «das várias vozes que fazem a Igreja: indígenas, quilombolas, povoações ribeirinhas, pescadores», e acrescenta: «Precisamos de abraçar uma real conversão ecológica integral que atravesse tudo o que somos e fazemos, deixando brotar as consequências do encontro com Jesus Cristo nas relações com o mundo que nos rodeia».

Para concretizar esses objetivos, exige-se «desaprender, aprender e reaprender a um ritmo que permita tecer, entre todos, um modelo de humanidade que cure o mundo».


 

Ángel Alberto Morillo
In Vida Nueva
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Renan Martelli da Rosa/Bigstock.com
Publicado em 08.02.2021

 

 

 
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