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«Querem heróis?» Olhem para Santo Inácio e padre Ricardo Neves

«A estes dois homens, que viveram separados por 500 anos, e que gozam de notoriedade tão assimétrica, encontramo-los juntos, com a sua memória e legado, ainda hoje a inspirar a vida de tantos. (…) Num país tão carente e tão dependente, é fundamental chamarmos a nós os ensinamentos destes homens. Querem heróis? Olhem para o lado, eles estão demasiadas vezes perto de nós, à distância de uma palavra, ao alcance de uma mão aberta.»

Inácio de Loyola, reconhecido dentro e fora do mundo católico em boa parte do mundo pela sua biografia marcada pela fé em Cristo, que permanece atual através das comunidades de religiosos e leigos que nele se inspiram, e o P. Ricardo Neves, a quem foi confiada a vice-reitoria de um dos seminários do patriarcado de Lisboa e, mais tarde, a paróquia de Santo António do Estoril, estão no coração do texto de Pedro Gomes Sanches publicado esta segunda-feira na edição digital do “Expresso”.

O gestor e sociólogo sublinha que Santo Inácio de Loyola, «profeta essencial» da «empatia e amor», bem como os seus «herdeiros espirituais», mudaram «a vida de milhões de pessoas» ao testemunhar «liberdade e alegria», «amor e reconciliação», não só no seio da Igreja, «onde tantos veem amarras e prisões», acompanhados por «ódio e castigo».

Das duas evocações, redigidas por «motivos pessoais», mas também por «imperativos nacionais», a maior é concedida ao padre Ricardo Neves, falecido há seis anos, com pouco mais de quarenta, de quem dá a conhecer poucos mas significativos momentos vividos em conjunto, onde não faltaram «elogios e reprimendas».



«Quando lhe disse, em vésperas do meu segundo casamento – pelo civil, porque não o pude fazer pela Igreja – que uma certa “Igreja” me ostracizava, repreendeu-me – creio ter-lhe visto, nessa altura, tristeza no olhar – e chamou-me injusto: “Que injusto, Pedro! A Igreja ostraciza-te? Eu estou aqui, em tua casa, a comer à tua mesa…”»



«Certa vez fez-se convidado para ir jantar lá a casa: “Gostava tanto de vos conhecer a todos, e de vos ver em vossa casa. Olha, podias convidar-me para lá ir jantar!”. Era assim! Um coração aberto, tão à semelhança do Jesus que tanto amou e a Quem tão cedo se juntou. Verdadeiramente interessado em cada um de nós, para lá das apresentações mais ou menos pias, das partilhas mais ou menos sofridas, mais ou menos gozosas, que ocorriam na igreja ou no seu gabinete. Queria conhecer-nos na nossa vida de todos os dias. Como Jesus fazia», assinala.

O P. Ricardo Neves «punha em cada encontro, em cada coisa que dizia, em cada olhar que nos dedicava, a serena – mas avassaladora e transbordante – presença do Senhor». Outro exemplo: «Quando lhe disse, em vésperas do meu segundo casamento – pelo civil, porque não o pude fazer pela Igreja – que uma certa “Igreja” me ostracizava, repreendeu-me – creio ter-lhe visto, nessa altura, tristeza no olhar – e chamou-me injusto: “Que injusto, Pedro! A Igreja ostraciza-te? Eu estou aqui, em tua casa, a comer à tua mesa…”».

«Para o P. Ricardo cada um era merecedor da sua atenção especial, crentes ou não crentes; e, por estes, tinha um genuíno e humilde interesse», e por isso «mudou a vida de muita gente. Para melhor. Para mais livre. Para mais paz», observa o investigador do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica.

A evocação feita por Pedro Gomes Sanches é a de um «herói sem capa, uma história de compaixão, de empatia, de abertura ao outro, de respeito pela diferença e de otimismo no futuro. Um otimismo feito de diligência e ação individual, incansável, e de vontade de construir mais e melhor».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem: P. Ricardo Neves | D.R.
Publicado em 03.08.2021

 

 
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