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Leitura do dia: Quem é a minha mãe? Quem são os meus irmãos? Somos família

Muitas passagens das Escrituras sobre o relacionamento de Jesus com a sua Mãe são intrigantes. No Evangelho de hoje (Mateus 12,46-50), Jesus diz que os seus discípulos são a sua família, por fazerem a vontade do Pai celestial. A sua Mãe, irmãos e irmãs estavam à espera, do lado de fora, para falar com Ele, mas o desconto que Ele deu às relações de sangue enquanto a maior das lealdades deve ter sido desconcertante para eles, e um desafio a uma cultura em que a pertença à família e à tribo era sacrossanta.

Noutra cena, uma mulher na multidão grita: «Bem-aventurado o ventre que te deu à luz, e os seios que te amamentaram», mas o mais que Jesus declarou foi: «Antes, bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam». No início do seu Evangelho, Lucas introduz o mesmo tema quando o Menino Jesus pergunta aos seus pais, perturbados por o terem perdido, por que estavam à sua procura: «Não sabiam que Eu tinha de estar na casa do meu Pai?».

No Evangelho de João, quando a sua mãe lhe fala da falta de vinho no casamento em Caná, Ele diz-lhe: «Mulher, o que tem isso a ver comigo?». E no final da sua vida, pendurado na cruz, Jesus chama novamente a sua Mãe de «mulher», e diz-lhe que o discípulo amado passa agora a ser seu filho, e ela sua mãe. Estas aparentes distinções podem ser uma maneira de elevar o discipulado ao nível de estatuto familiar íntimo, mas, no contexto, as palavras de Jesus parecem sugerir que a obediência a Deus é superior a qualquer relacionamento puramente natural com Ele.

Antes de considerarmos exageradamente estas passagens como sendo pessoais, a sua importância teológica pode ajudar a explicar o salto qualitativo implícito na identidade batismal em comparação com a identidade física nos Evangelhos. O relacionamento com Jesus significa pertencer à Nova Criação e à Nova Aliança, possibilitada pela Encarnação e pela ordem da graça. Recordamos o louvor de Jesus a João Batista, quando declarou que é a maior pessoa já nascida, mas a menor no Reino dos Céus é maior do que ele. O significado desta distinção era tal, que os Evangelhos arriscaram ofender as nossas naturais sensibilidades sobre o amor da família, ao preservar todas estas citações.

A grandeza de Maria está claramente no seu papel materno na Encarnação de Jesus, a par da sua total devoção à vontade de Deus, que abraçou ao tornar-se Mãe da Palavra. Mas ela é, antes de tudo, discípula de Jesus, e um modelo para nós de quão profundo e total esse relacionamento deve ser. De facto, todos somos convidados a fazer o que Maria fez, para plenificarmos o nosso relacionamento batismal com Jesus.

Maria é uma de nós. Também nós dizemos sim à Palavra de Deus que se torna carne em nós. Carregamos e damos à luz a Palavra no mundo. Descobrimos a nossa intimidade com Jesus ao meditar as alegrias, tristezas e glória da sua vida, morte e ressurreição em nós.

Por fim, Maria ajuda-nos a entender que Jesus também é um de nós de todas as formas humanas possíveis. No relacionamento com Ele, aprendemos como ser humanos, e este é o nosso caminho para a vida divina, o propósito da sua Encarnação e vida entre nós. Isto é discipulado, a vida dos batizados, o motivo por que Ele nos chama de irmãos, irmãs e mãe.


 

Pat Marrin
In National Catholic Reporter
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 21.07.2020

 

 
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