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Que a Terra volte à «beleza original»: Francisco quer mais Igreja na ecologia e abraça mobilidade elétrica

O papa manifestou hoje «esperança» de que o planeta possa regressar «à sua beleza original e a criação volte a resplandecer segundo o projeto de Deus», vinte e quatro horas depois de ter conhecido o novo Fiat 500 elétrico e poucos dias após receber a promessa de um papamóvel movido com a mesma energia.

O desejo de Francisco foi proferido na mensagem em vídeo por ocasião do lançamento da Plataforma de Ação “Laudato si’”, iniciativa que conclui o ano especial pelo aniversário da encíclica homónima e que marca o início de um itinerário que, ao longo dos próximos sete anos, pretende envolver todas as comunidades que formam a Igreja católica, para que se tornem «totalmente sustentáveis, no espírito da ecologia integral».

«Das mãos de Deus recebemos um jardim, aos nossos filhos não podemos deixar um deserto», sublinha Francisco, ao renovar o apelo a que seja vencida «a tentação do egoísmo», que torna os habitantes do planeta «predadores dos recursos».

Os sete objetivos da “Laudato si’”, documento de 2015 sobre o cuidado da casa comum, vão orientar a resposta dos católicos «ao grito da Terra» e «ao grito dos pobres», através de uma «economia ecológica, a adoção de um estilo de vida simples, a educação ecológica, a espiritualidade ecológica e o compromisso comunitário», declara o papa.

«Temos uma grande responsabilidade, especialmente em relação às futuras gerações. Que mundo queremos deixar às nossas crianças e aos nossos jovens? O nosso egoísmo, a nossa indiferença e os nossos estilos irresponsáveis estão a ameaçar o futuro dos nossos jovens», acentua.

Com efeito, a mentalidade que, não obstante as múltiplas reações, continua a impor-se tem permitido «um uso irresponsável» dos bens dados por Deus ao ser humano, causando «uma crise ecológica sem precedentes» que atinge «o solo, o ar, a água e, em geral, o ecossistema» negligenciando o facto de a saúde das pessoas não estar «separada da saúde do ambiente».

Ontem o papa encontrou-se com representantes do novo grupo automóvel Stellantis, resultante da fusão entre a Fiat Chrysler Automobiles e a Peugeot-Citroën, composta pelo seu diretor executivo, o português Carlos Tavares, e dois outros responsáveis. A delegação da empresa que conta com cerca de 300 mil trabalhadores apresentou a Francisco o novo modelo elétrico Fiat 500.

Na sexta-feira, o papa recebeu o fundador da empresa Fisker, que tem nos seus planos de lançamento o SUV elétrico Ocean. Henry Fisker anunciou que no próximo ano pretende oferecer a Francisco um papamóvel baseado no modelo: «A ideia surgiu-me ao ler que o papa está muito atento ao ambiente e ao impacto das alterações climáticas nas gerações futuras».

«Os interiores serão confecionados com materiais sustentáveis de diversa natureza, incluindo tapetes realizados com plástico reciclado derivado de garrafas recolhidas no oceano», adiantou o responsável.

O parque automóvel da Santa Sé tem sido enriquecido com ofertas de carros elétricos, oferecidos por diferentes marcas, que veem nestes presentes uma oportunidade para publicitar os seus produtos. Na viagem ao Japão, em 2019, Francisco foi transportado por um modelo movido a hidrogénio.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Sala de Imprensa da Santa Sé, Avvenire, Quattroruote
Imagem: Parque Nacional da Peneda-Gerês | costinhaa/Bigstock.com
Publicado em 25.05.2021

 

 

 
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