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Investigação

Projeto editorial reúne toda a obra do Padre António Vieira em 30 volumes

O projeto da edição da Obra Completa e do Dicionário Padre António Vieira (1608-1697), «um dos mais ambiciosos projetos editoriais da literatura portuguesa de sempre» que «vai reunir toda a obra do autor» em 30 volumes, é apresentado quarta-feira em Lisboa.

«Pelo seu valor cultural inestimável, a edição conta com o empenho particular do Provedor [da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa], Pedro Santana Lopes, e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa», que participam na sessão marcada para as 15h30 no Instituto S. Pedro de Alcântara, revela um comunicado enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O projeto, que reúne 52 especialistas e investigadores de Portugal e do Brasil, é coordenado por José Eduardo Franco e Pedro Calafate, professores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que também marcam presença no encontro com a comunidação social.

 

Cronologia

1608
Neto, por via paterna, de uma mestiça, filho de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, nasce em Lisboa, a 6 de fevereiro, numa casa pobre na Rua do Cónego, à Sé.

1614
Com 6 anos parte para o Brasil com a família – o pai fora nomeado escrivão da Relação da Baía.

1623
Ingressa na Companhia de Jesus, na Baía, cujo Colégio já frequentava desde data incerta.

1624
Durante um ano vive numa aldeia índia, na qual os jesuítas se refugiam após a conquista da Baía pelos holandeses, comandados pelo almirante Jacob Willekens.

1625
Faz votos de noviço.

1626
Encarregue pelos superiores de redigir a Carta Ânua (relatório anual da Província, dirigido ao Geral da Companhia de Jesus em Roma), da qual existem exemplares autógrafos, com as datas de 21 de novembro e 1 de dezembro.

1627
Inicia a regência da cadeira de Retórica, no Colégio Jesuíta de Olinda.

1633
Prega pela primeira vez em público.

1634
Ordenado presbítero.

1635
Celebra a primeira missa, na cidade da Baía; mestre em Artes e pregador.

1638
Nomeado professor de Teologia para o Colégio da Companhia de Jesus, na Baía.

1640
Prega na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, na Baía, o Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda.

1641
No Dia de Reis, na Igreja do Colégio da Baía, prega o Sermão de Ação de Graças pelas vitórias obtidas nos últimos meses de 1640.

1641
Na companhia do jesuíta Simão de Vasconcelos e de Fernando de Mascarenhas, filho do vice-rei Marquês de Montalvão, parte para Portugal, a 26 de fevereiro, para felicitar D. João IV pela sua subida ao trono e garantir a fidelidade do Brasil à Coroa de Portugal. Em abril desembarca em Peniche e é preso pela população, suspeito de ser partidário de Espanha. Esclarecido o equívoco, é posto em liberdade. É recebido pelo rei e inicia a sua carreira política, redigindo a Proposta feita a el-rei D. João IV, em que se lhe representava o miserável estado do Reino e a necessidade que tinha, de admitir os judeus mercadores, que andavam pelas diversas partes da Europa.

1642
A 1 de janeiro prega pela primeira vez em Portugal. Em setembro prega o Sermão de Santo António, com o objetivo de convencer os membros do clero e da nobreza a contribuírem com os seus bens para as despesas da guerra.

1643
Na Proposta a El-Rei D. João IV declara-se favorável aos cristãos-novos e apresenta um plano de recuperação económica.

1644
É nomeado Pregador Régio. Pelos seus serviços o Rei promulga alvará de promessa de hábito de Cristo e tença de 40 mil reis a favor do pai de Vieira.

1646
Faz a profissão solene na Casa de São Roque da Companhia de Jesus (Lisboa). Como embaixador é enviado por D. João IV a França (para tratar do casamento do príncipe D. Teodósio) e à Holanda (para firmar a paz). Em Ruão contacta a comunidade judaica portuguesa. Sai em versão flamenca o Sermão de 1642, a mais antiga tradução de um texto seu.

1647
Novamente enviado a França e à Holanda. Apesar do barco ter sido aprisionado pelos corsários, consegue chegar a Inglaterra, onde é suposto ter contactado a comunidade judaica e de onde parte para Paris (logrando ser recebido pelo cardeal Mazarino e pela rainha regente) e Haia (onde adquire navios, mantimentos e munições).

1648
Regressa a Portugal, emite um parecer sobre a compra de Pernambuco aos holandeses, defende a criação da provínvia do Alentejo.

1649
Denunciado à Inquisição pelo seu amigo padre (jesuíta) Marim Leitão, lente de Véspera no Colégio de Santo Antão. Ameaçado de expulsão da Ordem, D. João IV propõe-lhe um lugar de bispo (que ele recusa) e dá uma série de mercês a familiares seus. Por sua sugestão é fundada a Companhia de Comércio do Brasil, com capitais maioritariamente cristãos-novos.

1650
Enviado a Roma para iniciar negociações com a Espanha através do cadamento de D. Teodósio.

1651
Chega a Roma, via Barcelona.

1652
Rejeita o convite para integrar uma embaixada a Inglaterra e parte como missionário para o Maranhão, via Cabo Verde, donde escreve ao príncipe D. Teodósio.

1653
Prega pela primeira vez no Maranhão e, a 20 de maio, escreve uma carta na defesa da liberdade do síndios contra os abusos e prepotências dos colonos. A 22 de maio, em S. Luís do Maranhão, prega o Sermão da Primeira Dominga da Quaresma, vulgo Sermão dos Escravos. Visita Belém.

1654
Prega o Sermão de Santo António aos Peixes, três dias antes de ebarcar clandestinamente para o Reino, «a procurar remédio da salvação dos índios». Apanhado por uma tempestade, é aprisionado pelos corsários holandeses, depois libertado e deixado na ilha de S. Miguel (Açores), onde prega e realiza outros atos religiosos.

1655
A bordo de uma embarcação inglesa chega a Lisboa, onde, na Capela Real do Paço da Ribeira prega o Sermão da Sexagésima. Regressa ao Maranhão na posse de novas leis, entre as quais uma que limita a possibilidade de fazer cativos os indígenas do Brasil e outra que atribui à Companhia de Jesus toda a ação missionária junto dos índios.

1656
Denunciado à Inquisição pelo padre Jerónimo de Araújo, prior da Igreja da Madalena (Lisboa).

1659
Escreve a André Fernandes, bispo eleito do Japão, a carta habitualmente intitulada Esperanças de Portugal – V Império do Mundo, na qual apresenta as teses que serão a base da sua futura perseguição pela Inquisição. Parte em missão para junto dos índios Nheegaíbas.

1660
A 4 de dezembro escreve uma carta ao novo rei, D. Afonso VI, advogando a causa dos índios, injustamente oprimidos. Parte em missão para a serra de Ibiapaba.

1661
Expulso do Brasil pelos colonos do Maranhão que, tal como os do Pará, querem aproveitar os índios como escravos.

1662
Em Lisboa, sob a regência de D. Luísa de Gusmão, prega na capela real o Sermão da Epifania. Defende os missionários contra as acusações dos colonos (Resposta aos capítulos que deu contra os Religiosos da Companhia o Procurador do Maranhão Jorge Sampaio). É desterrado para o Porto após a subida ao trono de D. Afonso vi. Em Espanha sai uma versão dos Sermões.

1663
Desterrado em Coimbra. Defende na Inquisição o seu livro Esperança de Portugal – V Império. Proibido de regressar ao Brasil. Primeiro interrogatório na Inquisição.

1664
Escreve História do futuro e adoece gravemente.

1665
Preso nos cárceres da Inquisição, em Coimbra. Denunciado pelo administrador geral doProvimento da Fronteira da Beira, Manuel ferreira.

1666
Denunciado à Inquisição pelo médico da Câmara d’El-Rei, Fernando Sardinha. Entrega a sua defesa no Tribunal da Inquisição. É interrogado inúmeras vezes.

1667
A 23 de dezembro, a Inquisição de Coimbra condena-o, pelo que «é privado para sempre de voz ativa e passiva e do poder de pregar, e recluso no Colégio ou Casa de sua Religião, que o Santo Ofício lhe ordenar, e onde, sem ordem sua, não sairá.» Fica proibido de sair de Portugal, para evitar que no estrangeiro faça propaganda contra a Inquisição.

1668
Já sob a regência de D. Pedro (futuro D. Pedro II) é anulada a sentença da Inquisição. Prega no aniversário da rainha. Sai em Itália uma versão dos Sermões.

1669
Prega em Lisboa o Sermão de Santo Inácio. Parte para Roma e propõe uma mudança dos «estilos» da Inquisição portuguesa. Sai em francês um Sermão seu.

1671
Prega em Roma dois sermões, em língua portuguesa.

1672
Prega em Roma dois sermões, em italiano, e ganha notoriedade.

1675
Consegue a anulação que contra si movera a Inquisição e é declarado pela Santa Sé «perpetuamente isento da jurisdição inquisitorial». Regressa Lisboa, onde é recebido com frieza devido à defesa que fizera dos cristãos-novos.

1679
Primeira edição princeps de Sermões. Recusa o convite para regressar a Roma como confessor da Rainha Cristina.

1681
Regressa ao Brasil (Baía) como missionário, ficando a residir na Quinta do Tanque, casa de campo do Colégio Jesuíta de Salvador.

1682
Novo volume de Sermões.

1683
Outro volume de Sermões. Intervém na defesa do seu irmão Bernardo. Acusado de cumplicidade no assassínio do alcaide da Baia.

1684
Prega na Baía o Sermão de Exéquias da Rainha Maria Francisca Isabel de Saboia, ex-mulher de D. Afonso V e de D. Pedro II. Escreve ao Rei dando-lhe notícia da nova revolta contra a presença dos jesuítas no Maranhão.

1688
É nomeado visitador da Companhia de Jesus na Província do Brasil. Outro volume de Sermões.

1690
Novo volume de Sermões.

1692
Resigna do cargo de visitador da Companhia de Jesus por falta de saúde. Edição em latim de vários sermões.

1694
Novo volume de Sermões. Compõe o último sermão, o do Felicíssimo Nascimento.

1697
A 10 de julho, já cego, dita uma carta dirigida a Sebastião de Matos e Sousa. A 12 dita a última, dirigida a Tirso Gonzalez, Geral da Companhia de Jesus. A 18 morre no Colégio do Pará (Baía) com 89 anos, 5 meses e 12 dias. Após ofícios fúnebres na Sé da Baía, é sepultado na Igreja do Colégio dos Jesuítas. A 17 de dezembro, na Igreja de São Roque, promovidas pelo Conde da Ericeira, ocorrem as exéquias pela sua alma, com um custo de 7 mil cruzados.

1699
Outro volume de Sermões.

1718
Publicada a História do Futuro.

1735
1.ª edição das Cartas (2 volumes)

1736
Publicada a obra Vozes Saudosas da Eloquência, do Espírito, do Zelo e Eminente Sabedoria doPadre António Vieira, onde aparecem cartas suas.

1746
3.º tomo de Cartas

1748
Publicada a obra Voz Sagrada, Política, Retórica e Métrica ou Suplemento às Vozes Saudosas, com novas cartas suas.

1772
Edição alemã de alguns Sermões.

1827
Mais cartas de Vieira, reveladas na correspondência com Duarte Ribeiro de Macedo.

 

Rui Jorge Martins
Cronologia: Jornal de Letras
© SNPC | 05.02.13

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ImagemPadre António Vieira

 

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