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Profeta, ontem como hoje: Divinamente garantido, humanamente pouco aceite

Aprender a ser profeta, isto é, «ver as coisas pelos olhos de Deus e proferir palavras que dEle venham, seja em que circunstância for»: um ensino que dura toda a vida, que não dá «lugar para ilusões, apenas para convicções», e que será «de estranhar se parecer fácil».

E o que implica ser profeta na sociedade de hoje? Afirmar e testemunhar «princípios de vida e convivência, que pareciam assentes», como o que «respeita à vida humana e à dignidade intrínseca de todo o seu percurso», bem como a «justa repartição dos bens, que só legitimamente se usufruem quando se respeita o seu destino universal».

Estas foram algumas das prioridades apontadas, no domingo, pelo cardeal-patriarca de Lisboa na homilia da missa em que foram ordenados quatro padres, na qual advertiu que «a popularidade fácil pode ser sinal de infidelidade grande».

Depois de acentuar que «a ciência demonstra hoje como nunca» a «dignidade intrínseca» do ser humano, «do ventre materno à morte natural», mesmo «que a prática o contradiga tanto», D. Manuel Clemente focou-se na «consciência», não enquanto «mero sentimento ou reação imediata», mas como «saber refletido».

A consciência, que se manifesta tanto «na ação como na objeção», não pode ser «lesada por qualquer pressão exterior, “legal” que fosse - como sucederia, por exemplo, obrigando-se um profissional da saúde a colaborar contra vontade na prática do aborto ou da eutanásia», sublinhou.



Ser profeta implica viver «entre muitas contradições exteriores e resistências interiores», mas a oração, e em particular a meditação da Palavra, contribuirá para falar e agir «a partir de Deus»: «Sem ela, vivemos só por nós e pouco ou nada servimos o seu povo»



Referindo-se aos desequilíbrios nos rendimentos, o cardeal-patriarca vincou que «o novo normal» pós-pandemia «não poderá manter e muito menos ampliar o fosso, quase precipício, entre os pouquíssimos que têm quase tudo e os muitos que não têm nada, ou quase nada».

O prelado observou também que não se «poderá substituir sem mais a atividade humana pela tecnologia em avanço, pondo em causa o presente e o futuro de trabalhadores e famílias. Tudo isto ofende a Deus e brada aos Céus».

Estas e outras perspetivas, baseadas na «boa nova» que continua a oferecer «a notícia do verdadeiro valor das vidas e das coisas», mas que «exige tudo, para nos dar muito mais» não se coadunam «com meios-termos que entretêm», e por isso «ser profeta implica viver positivamente o facto de ser divinamente garantido, mesmo quando humanamente pouco aceite». 

Ser profeta implica viver «entre muitas contradições exteriores e resistências interiores», mas a oração, e em particular a meditação da Palavra, contribuirá para falar e agir «a partir de Deus»: «Sem ela, vivemos só por nós e pouco ou nada servimos o seu povo».

D. Manuel Clemente mencionou na homilia alguns dos traços mais relevantes dos profetas na Bíblia, mas apesar de todas as diferenças entre eles e da distância de milénios para a atualidade, há uma raiz de discernimento que subsiste: «Os tempos e os modos mudam certamente; mas são maus ou bons na exata medida em que lesam ou favorecem as pessoas, todas e cada uma».

«Nas dificuldades» que «não faltarão», o cardeal-patriarca propõe que seja abraçada uma declaração de S. Paulo: «Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque quando sou fraco, então é que sou forte».  


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Patriarcado de Lisboa
Imagem: "Profeta Jeremias" (det.) | Miguel Ângelo | 1512
Publicado em 05.07.2021

 

 
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