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Bispo de Beja diz que Prémio Árvore da Vida é estímulo para dioceses com poucos recursos

O bispo de Beja diz que a atribuição do Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes ao Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese é um estímulo para as dioceses que “não têm os recursos das grandes”.

“Não precisamos de estar à espera de ter todos os meios, a não ser que se queira fazer tudo de uma vez”, defende D. António Vitalino.

Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o prelado reconhece que no domínio da estética há em muitos locais “um certo mau gosto” e admite que a Igreja não tem aproveitado totalmente a sua arte e história para aprofundar e expressar a fé.

Do encontro de Bento XVI com o mundo da cultura, marcado para 12 de Maio, em Lisboa, o bispo de Beja espera que seja uma oportunidade para acabar “com os muitos preconceitos de parte a parte”.

 

Que importância atribui ao facto de o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB) receber o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes?

É sobretudo um estímulo para todas as dioceses que não têm os recursos das grandes mas que com objectivos bem definidos e com colaboradores identificados com o trabalho e conhecedores do meio fazem aquilo que é preciso a nível do levantamento do que existe, restauram as peças mais valiosas e fazem a divulgação do património.

Em 1998 fizemos a primeira grande exposição – já tinha havido outras mais pequenas – e desde então fomos num crescendo no âmbito da diocese e, depois, a nível nacional e até internacional.

Os pequenos, desde que tenham pessoas formadas e identificadas com o que é a arte, a história e a missão da Igreja, podem fazer coisas muito válidas, que são uma afirmação do mundo da cultura em Portugal. Não precisamos de estar à espera de ter todos os meios, a não ser que se queira fazer tudo de uma vez.

É isto que a diocese de Beja tem conseguido, graças sobretudo ao director do Departamento e a outros colaboradores que ele consegue.

Penso que a Igreja não pode fechar o seu património em museus e armazéns e igrejas, às vezes mal cuidadas.

 

Qual a importância da estética, da arte e do património para a evangelização?

Hoje em dia sabemos que as igrejas e edifícios históricos são muito procurados pelo turismo, não só de massas mas também cultural, que é muito valioso.

Dentro da Igreja talvez ainda não tenhamos aproveitado totalmente o que é a sua história, arte e estética para fazer o percurso do aprofundamento e expressão da fé. Mas já vai havendo muitos cristãos que começam a saber distinguir entre aquilo que exprime os valores espirituais e sobrenaturais e apreciam a beleza como uma maneira de se relacionarem com Deus, a Igreja e os sacramentos.

Infelizmente em muitos lados reina um certo mau gosto, por vezes patrocinado pelos santeiros e por aqueles grupos que faziam disso uma fonte de receitas, e não um meio que deve ajudar os cristãos a manifestar e a viver a sua fé.

 

O DPHADB não confina a sua actividade à protecção do património mas tem-se distinguido por procurar o diálogo com expressões de arte contemporânea...

É uma opção que vai despertando os artistas para a importância de trabalharem na área da fé cristã, já que eles nem sempre têm tido a oportunidade para exprimir a beleza dentro da Igreja.

 

Se não houvesse impedimentos financeiros, o que é sonharia para o DPHPB dentro de cinco a dez anos?

Gostaria que o Departamento, além do trabalho de inventariação que tem feito, contribuísse para relacionar as pessoas e os artistas da actualidade com a arte sacra, criando uma interactividade que enriqueça a fé cristã.

 

Acredita que a intervenção do Papa ao mundo da cultura pode favorecer o diálogo entre a Igreja e os artistas?

Sim, penso que a missão do Papa e dos bispos em união com ele é de ir ao encontro de todas as pessoas, e neste caso dos artistas e do mundo da cultura, para que não se fechem no seu mundo, por vezes muito horizontal, sem grande dimensão do transcendente, mas que possam descobrir na fé cristã um mundo que é importante para a visão integral do Homem.

Gostaria que o encontro de Bento XVI acabe com os muitos preconceitos de parte a parte e vejamos aqui uma oportunidade para tornarmos este mundo mais belo e mais feliz.


 

Rui Jorge Martins
Publicado em 13.04.2010 | Atualizado (mudança de grafismo da página) em 08.07.2025

 

 
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