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Porque é que o Escutismo mundial seria um bom prémio Nobel da Paz

A Organização Mundial do Movimento Escutista (OMME) e a Associação Mundial das Guias e Escuteiras foram nomeadas, a 27 de janeiro, para o prémio Nobel da Paz. As duas instituições representam mais de 60 milhões de membros em vários pontos do globo.

A iniciativa teve na origem na deputada norueguesa liberal Solveig Schytz, antiga comissária-geral dos escuteiros e guias da Noruega: «O movimento escutista e das guias funda-se na capacidade dos jovens de serem cidadãos ativos nas suas comunidades locais e no mundo», justificou nas redes sociais.

A parlamentar de 45 anos, que faz parte do movimento desde os oito anos, insistiu na urgência deste reconhecimento no contexto atual: «Numa época onde o mundo está confrontado com desafios enormes, como as alterações climáticas, as guerras ou uma pandemia, precisamos de um contraponto ao egoísmo e ao nacionalismo. A juventude merece ocasiões para contribuir para a sociedade, ao nível local e internacional».

 

Artesãos da paz

Esta nomeação justifica-se, segundo o dominicano Yves Combeau, autor de um livro sobre a história do escutismo, porque este «tem no seu ADN o imperativo da fraternidade e da paz, ainda que se abra também a outras dimensões».

«Baden-Powell, que foi um general britânico, converteu-se ao pacifismo, como testemunham os seus discursos dos anos 1920 a 1930. À escala europeia, os escuteiros e as guias desempenharam um papel maior na reconciliação franco-alemã, em 1945. Desde sempre os escuteiros participam na construção de uma solidariedade internacional, num espírito de serviço e de gratuidade», apontou o historiador.

Eles comprometem-se pessoalmente aquando das suas promessas ao declarar querer «viver segundo a lei dos escutistas e guias de todo o mundo». Já em 1981, a sua ação em favor da paz no mundo foi reconhecida pela Unesco, que concedeu o seu prémio da Educação para a Paz à Organização Mundial do Movimento Escutista.

 

Dez milhões de escuteiros para 120 projetos

Esta Organização coordena uma dezena de programas (campanhas, eventos, apelos à ação) que têm impacto social e contribuem para a realização de objetivos de desenvolvimento duradouro. O programa “Gifts for Peace” (Dons para a Paz) foi oficialmente lançado por ocasião do centenário do escutismo, em 2007.

Trata-se de quase dez milhões de escuteiros envolvidos em 120 projetos, entre os quais movimentos pela paz no Burúndi, Ruanda, República Democrática do Congo), um programa educativo que integra as crianças sem-abrigo em Salvador, e a ajuda no Haiti, na sequência do sismo.

Em 2011, a iniciativa “Mensageiros da Paz” veio prolongar este compromisso. Ela visa mobilizar os escuteiros de todo o mundo em atividades destinadas a consolidar ou promover a paz. Um relatório publicado em 2014 pelo Bureau Mundial refere a existência de 16 milhões de projetos e ações locais concretizados nos dez anos anteriores.

 

Aprender a viver com pouco

Entre as múltiplas contribuições para a educação de crianças e jovens, que se especificam também de acordo com a identidade católica, está a “sobriedade feliz”, a capacidade de, numa civilização tantas vezes marcada pelo consumismo e pela posse, ser capaz de viver com pouco, bem como a gratuidade, a abertura ao outro, a fraternidade.

A fraternidade, precisamente, recentemente sublinhada pela encíclica “Fratelli tutti”, do papa Francisco, está no coração da lei escutista, como refere o artigo 4 dos estatutos da OMMS: o escuteiro é um amigo para todos e um irmão para todos os outros escuteiros.

Uma realidade particularmente tocante aquando dos “jamborees” (encontros internacionais que decorrem a cada quatro anos). O último juntou mais de quarenta mil pessoas. E fora destas assembleias, é comum, em Portugal, ver-se milhares de escuteiros católicos nos acampamentos, quer regionais, quer, sobretudo, nacionais.

Nos “jamborees” é possível juntar lado a lado escuteiros provenientes de etnias em conflito ou de países em guerra. É uma belíssima oportunidade para o encontro, para a troca de opiniões, e para tecer laços de paz, que a internet permite conservar a longo prazo. O próximo está marcado para a Coreia do Sul, em 2023, quando, assim se espera, o coronavírus não for mais do que uma má recordação.

 

Em Portugal

A Conferência Internacional Católica do Escutismo, da qual o Corpo Nacional de Escutas (CNE) é membro, «é um espaço internacional de encontro, reflexão, partilha e comunhão dos Escuteiros Católicos, tendo um estatuto consultivo junto da Organização Mundial do Movimento Escutista», refere a página do Corpo Nacional de Escutas.

Além do CNE, há três associações ligadas ao Movimento Mundial Escutista: Associação dos Escoteiros de Portugal, que com o CNE forma a Federação Escutista de Portugal, aAssociação Guias de Portugal, e a Fraternidade Nuno Álvares, que congregaantigos filiados do CNE.


 

Stéphanie Combe
In La Vie
Trad./edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 05.02.2021

 

 

 
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