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“Pathos Ethos Logos”: «Cristo é a presença que atravessa todo o filme»

«Estamos em 2021. 2021 D. C. Continuamos a referir-nos a um marco, a um acontecimento histórico que veio irremediavelmente dividir o tempo entre um antes e um depois. Um relâmpago, uma clivagem, um corte epistemológico que veio dar um novo sentido à capacidade de intervenção do homem na história. Tendemos a esquecer essa evidência, “Pathos Ethos Logos” é uma tentativa de recentrar a nossa atenção. Cristo é a presença que atravessa todo o filme.»

É com estas palavras, proferidas em entrevista ao “Expresso”, que Joaquim Pinto e Nuno Leonel demarcam a linha condutora de “Pathos Ethos Logos”, de 641 minutos, selecionado para a edição deste ano do Festival de Locarno (Suíça), e que mereceu do encenador Luís Miguel Cintra esta consideração: “Há muito tempo que não me sentia tão pequeno perante uma obra de arte».



Imagem "Pathos Ethos Logos" | D.R.


Os cineastas, que em 2014 foram distinguidos com o Prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura no Festival IndieLisboa, por “O Novo Testamento de Jesus Cristo segundo João”, começaram a escrever o guião no ano seguinte, com um argumento que decorre em três tempos: 2017, 2028 e 2037.

«Três mulheres de diferentes gerações e origens, cujos caminhos se cruzam, nas suas tentativas de existir plenamente. Fragmentos de histórias que recuperam experiências e eventos da vida real para o núcleo de cada personagem», assinala a sinopse. E acrescenta: «A terra, a vida e a morte. Indiferença e afeição, abandono, fé. A palavra e o silêncio, luz e sombras, a infindável sobrevivência, a incapacidade de amar». 



Imagem "Pathos Ethos Logos" | D.R.


Os realizadores explicam, na entrevista, que «cada termo e cada parte do filme não pode ser entendida sem as outras, porque deve ser visto à luz da totalidade, para que possa ser entendido (cada palavra é silêncio, só a totalidade fala)». Essa «é a razão pela qual “Pathos Ethos Logos” não é apresentado como trilogia, mas como um só filme, como um todo».

«O cinema tem vindo a fechar-se progressivamente numa perspetiva “utilitária” de construir argumentos, de contar histórias, “na ânsia de nada perder, de tornar tudo visível”, ao ponto de nos esquecemos de outras formas de contar. As diversas histórias, ao ritmo do tempo, da memória, do fluxo infindável de palavras e pensamentos que constituem a corrente da consciência, são veículos para abordar uma história mais abrangente, da qual só temos perceção parcelar», apontam cineastas Joaquim Pinto e Nuno Leonel.


Imagem "Pathos Ethos Logos" | D.R.


Trata-se de uma perceção complementada pela nota de apresentação de Luís Miguel Cintra: «Não sei se esgotarei alguma vez o campo aberto da multiplicidade de registos para onde o filme me lança e que é afinal o mesmo em que eu constantemente me vejo sacudido pela minha vida».

«Mas agora sei que, graças a Deus, levarei comigo o que esse calhamaço por certo deixou no meu coração: outro grande testemunho de amor à vida, de atenção aos outros, uma grande porta para a renovação das consciências. Estava a fazer falta», acrescenta.









Nuno Leonel e Joaquim Pinto – que obteve o Prémio Especial do Júri e o Prémio da Crítica Internacional (Fipresci) em Locarno, no ano de 2013, por “Agora? Lembra-me” – vivem numa casa vizinha ao mosteiro beneditino de Singeverga (distrito do Porto), e foi precisamente o seu abade, D. Bernardino da Costa, que coapresentou o filme na última sexta-feira, 19 de novembro, juntamente com Luís Miguel Cintra, aquando da exibição da primeira parte, em Lisboa, no contexto do Festival Leffest.

Protagonizado por Ângela Cerveira, Rafaela Jacinto e Fabiana Silva, “Pathos Ethos Logos” voltará a ser exibido na Casa do Cinema de Coimbra, nos dias 25, 26 e 27 de novembro, às 21h45.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem de topo: "Pathos Ethos Logos" | D.R.
Publicado em 24.11.2021

 

 

 
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