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Para ir ao encontro de Deus é preciso «outro caminho»

Fugir às estradas largas, asfaltadas e iluminadas que se destacam nos mapas da vida e ousar «outro caminho», oculto das cartografias deste mundo e escassamente trilhado: esta é, para o papa, a rota para ir ao encontro de Deus, à semelhança dos magos.

Na homilia da missa da Epifania do Senhor, a que presidiu hoje no Vaticano, Francisco lembrou que «é sempre grande a tentação de confundir a luz de Deus com as luzes do mundo».

«Quantas vezes corremos atrás dos clarões sedutores do poder e da ribalta, convencidos que prestamos um bom serviço ao Evangelho! Mas, assim, voltamos os holofotes para o lado errado, porque Deus não estava lá», afirmou.

Com efeito, frisou, «Deus propõe-se, não se impõe; ilumina, mas não encandeia», pelo que quando a Igreja tenta «brilhar de luz própria» esquece-se de que não é ela «o sol da humanidade», mas «a lua que, mesmo com as suas sombras, reflete a luz verdadeira».



«Perguntemo-nos: no Natal, trouxemos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre nós? Se fomos ter com o Senhor de mãos vazias, hoje podemos remediar»



Como os magos, segundo a tradição bíblica, foram intermitentemente orientados por uma estrela desde o Oriente até ao local do nascimento de Jesus, em Belém, também os cristãos têm hoje e sempre uma rota que os guia até Deus: o «amor humilde», no qual é preciso «perseverar».

«Só encontra o mistério de Deus quem deixa os próprios apegos mundanos e se põe a caminho», acentuou o papa, acrescentando: «Quando o seu onde se torna o nosso onde, o seu quando o nosso quando, a sua pessoa a nossa vida, então cumprem-se em nós as profecias. Então Jesus nasce dentro e torna-se Deus vivo para mim».

Pode já parecer muito, mas não basta arriscar veredas divergentes, é também urgente outra atitude, novamente como os magos, que vão ter com Deus «não para receber, mas para dar».

«Perguntemo-nos: no Natal, trouxemos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre nós? Se fomos ter com o Senhor de mãos vazias, hoje podemos remediar», assinalou Francisco.



«Neste tempo de Natal que está a terminar, não percamos a ocasião para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, não nos cenários faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Belém»



E se hoje é impensável oferecer os mesmos presentes que os magos entregaram quando se prostraram diante de Jesus, é todavia possível imitar as disposições que eles representam, a começar pelo ouro.

«Considerado o elemento mais precioso, lembra-nos que, a Deus, deve ser dado o primeiro lugar. Deve ser adorado. Mas, para isso, é preciso privar-se a si mesmo do primeiro lugar e considerar-se necessitado, não autossuficiente», disse.

O incenso, por seu lado, «simboliza o relacionamento com o Senhor, a oração, que se eleva para Deus como perfume. Ora, como o incenso para exalar o seu perfume se deve queimar, assim também para a oração é preciso “queimar” um pouco de tempo, gastá-lo para o Senhor. Mas fazê-lo de verdade, e não só em palavras».

Já a mirra, «unguento que seria utilizado ao envolver amorosamente o corpo de Jesus descido da cruz», realça que agrada a Deus que se cuide «dos corpos provados pelo sofrimento, da sua carne mais frágil, de quem ficou para trás, de quem só pode receber não tendo nada de material para retribuir. É preciosa aos olhos de Deus a misericórdia com quem não tem para restituir, a gratuidade».

«Neste tempo de Natal que está a terminar, não percamos a ocasião para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, não nos cenários faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Belém. Se o fizermos, resplandecerá sobre nós a sua luz», concluiu Francisco.

Mais tarde, na oração do Angelus, o papa retomou o tema da luz, associado ao tradicionalmente chamado "Dia de Reis": «Deixemo-nos iluminar pela luz de Cristo que provém de Belém. Não permitamos aos nossos medos que fechem o nosso coração, mas tenhamos a coragem de nos abrirmos a esta luz suave e discreta. Então, como os magos, experimentaremos uma grande alegria que não poderemos ter [só] para nós».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Subbotina Anna/Bigstock.com
Publicado em 06.01.2019

 

 
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