Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Papa pede aos meios de comunicação para ajudarem as pessoas a suportar «este tempo de clausura»

O papa apelou hoje aos profissionais dos meios de comunicação para que ajudem as pessoas a suportar o período de confinamento, e apontou um verbo essencial para quem quer ser discípulo, e não apenas partidário, de Cristo, para quem quer ser livre, e não manipulado por ideologias: permanecer.

«Gostaria que rezássemos por todos aqueles que trabalham nos média, que trabalham para comunicar, hoje, para que as pessoas não estejam tão isoladas; pela educação das crianças, pela educação, para ajudar a suportar este tempo de clausura», afirmou Francisco antes do início da missa a que presidiu.

Na homilia, baseada no Evangelho proclamado nas eucaristias desta quarta-feira (João 8,31-42), o papa acentuou a necessidade de os cristãos perseverarem na fé, tendo apontado a distinção entre quem simpatiza com Jesus e aqueles que são seus discípulos.

«Nestes dias, a Igreja faz-nos escutar o capítulo oitavo de João: é a discussão muito forte entre Jesus e os doutores da lei. E, sobretudo, procura-se fazer ver a própria identidade: João procura aproximar-nos daquela luta para clarificar a própria identidade, quer a de Jesus, como a identidade que têm os doutores. Jesus coloca-os a um canto, fazendo-lhes ver as suas contradições. E eles, no fim, não encontram outra saída a não ser o insulto: é uma das páginas mais tristes, é uma blasfémia. Insultam Nossa Senhora.

Mas falando de identidade, Jesus disse aos judeus que tinham acreditado, aconselha-os: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente os meus discípulos”. Regressa aquela palavra tão cara ao Senhor, que a repetirá muitas vezes, e depois na [última] ceia: permanecer. “Permanece em mim.” Permanecer no Senhor. Não diz: “Estudai bem, aprendei bem as argumentações”: isto dá-lo por adquirido. Mas vai à coisa mais importante, aquela que é mais perigosa para a vida, se não se faz: permanecer. “Permanecei na minha palavra”.



«O Senhor nos faça compreender isto, que não é fácil: porque os doutores não o compreenderam, não se compreende só com a cabeça; compreende-se com a cabeça e com o coração»



E aqueles que permanecem na palavra de Jesus têm a sua identidade cristã. E qual é? “Sois verdadeiramente meus discípulos”. A identidade cristã não é um cartão que diz “eu sou cristão”, um cartão de cidadão, não. É o discipulado. Tu, se permaneceres no Senhor, na Palavra do Senhor, na vida do Senhor, serás discípulo. Se não permaneceres, serás alguém que simpatiza com a doutrina, que segue Jesus como um homem que fez muita beneficência, é muito bom, que tem valores justos, mas o discipulado é precisamente a verdadeira identidade do cristão.

E será o discipulado que nos dará a liberdade: o discípulo é um homem livre porque permanece no Senhor. E o que significa “permanecer no Senhor”? Deixar-se guiar pelo Espírito Santo. O discípulo deixa-se guiar pelo Espírito; por isso, o discípulo é sempre um homem da tradição e da novidade, é um homem livre. Livre. Nunca sujeito a ideologias, a doutrinas dentro da vida cristã, doutrinas que podem discutir-se. Permanecer no Senhor, é o Espírito que inspira. Quando cantamos ao Espírito, dizemos-lhe que é um hóspede da alma, que habita em nós. Mas isto só acontece se permanecermos no Senhor.

Peço ao Senhor que nos faça conhecer esta sabedoria de permanecer nele, e nos faça conhecer aquela familiaridade com o Espírito: o Espírito Santo dar-nos-á a liberdade. E esta é a unção. Quem permanece no Senhor é discípulo, e o discípulo é um ungido, um ungido pelo Espírito, que recebeu a unção do Espírito e a leva por diante. Este é o caminho que Jesus nos faz ver para a liberdade, e também para a vida. E o discipulado é a unção que recebem aqueles que permanecem no Senhor.

O Senhor nos faça compreender isto, que não é fácil: porque os doutores não o compreenderam, não se compreende só com a cabeça; compreende-se com a cabeça e com o coração, esta sabedoria da unção do Espírito Santo que nos faz discípulos».


Sabemos que, historicamente, as Igrejas, tal como os Estados, partidos e ideologias, tiveram dificuldades com os artistas



O padre e poeta José Tolentino Mendonça considera que «a poesia é um observatório para o mistério, é um promontório sobre o silêncio de Deus, sobre o seu enigma».

Na sessão de apresentação da obra “Verbo – Deus como interrogação na poesia portuguesa”, que decorreu a 12 de julho, em Famalicão, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, coorganizador do volume, frisou que a obra poética «está sempre próxima da pergunta ardente acerca de Deus».

«Por isso a Igreja não pode nunca dissociar-se da experiência poética do seu tempo. Pelo contrário, nos criadores a Igreja encontra sempre aliados, quer sejam cristãos poetas, quer sejam de outras proveniências. A poesia dá a ver o mistério», sublinhou em declarações ao site da Pastoral da Cultura.

Tolentino Mendonça está consciente de que «um certo olhar exterior remete, por vezes, a questão de Deus para um domínio privado ou para um território tão marginal, que deixa de ser um problema pertinente».

«Mas a verdade é que quando pensamos na poesia, e na experiência que a poesia representa, a questão de Deus e a interrogação de Deus são também experiências indissociáveis do que é o mais típico da experiência poética», acrescentou.














 

In Vatican News
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 01.04.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos