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Papa desafia a uma Quaresma de conversão: «Não deixemos que passe em vão este tempo favorável!»

«Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais.»

É com estas palavras que o papa desafia os católicos a viver a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa (ressurreição de Jesus), que começa na próxima Quarta-Feira de Cinzas (6 de março) e termina pela tarde de Quinta-Feira Santa (18 de abril).

«A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus», passagem bíblica extraída da Carta aos Romanos (8,19), é o tema da mensagem de Francisco para a Quaresma deste ano, revelada hoje pela Santa Sé.

Para o papa, a «expetativa da criação» aludida no excerto bíblico tornar-se-á verdade «quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste “parto” que é a conversão».

«O caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal», ou seja, da passagem que Jesus atravessou da morte (especialmente evocada na Sexta-feira Santa) para a ressurreição (particularmente vivida no Domingo de Páscoa).



«Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais»+



Francisco lembra que a Quaresma «chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola».

Jejuar, prossegue o texto, consiste em modificar a atitude pessoal «para com os outros e as criaturas», transitando da «tentação de “devorar” tudo» para a «capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do (…) coração».

«Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia», aponta.

E «dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo» para si próprio, com a «ilusão» de assegurar um futuro que não pertence a cada ser humano, por melhor que julgue prepará-lo, mas a Deus.

Com estas três práticas, o ser humano pode «reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no (…) coração»; ou seja: «O projeto de amá-lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade».

«Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais», adverte Francisco, que menciona, associada ao pecado, a «exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela».

A «quaresma» de Jesus «consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens», assinala o papa, que expressa um desejo: «Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 26.02.2019

 

 
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