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Os neurónios espelho de Jesus

Jesus também tinha neurónios espelho. E trabalhavam como um Deus para Ele, ao que parece. Como quando estava diante do túmulo do amigo Lázaro: Maria chora, choram os judeus vindos com ela, e Jesus, vendo-os chorar assim, desata em lágrimas também Ele (cf. João 11, 1-45, 5.º Domingo da Quaresma).

Em Jesus entraram em funcionamento os neurónios espelho, uma classe de neurónios que se ativam seletivamente quer quando se realiza uma ação (com a mão ou com a boca) quer quando se a observa quando é realizada por outros (em particular se implicados connosco).

Quando Jesus observa Maria a chorar, ativam-se, no seu cérebro, os mesmos neurónios que entram em ação quando é Ele a experimentar aquela mesma emoção e a realizar aquela mesma ação, “refletindo” o que acontece na mente de Maria. E portanto comove-se.

Nós somos feitos assim: quando observamos nos outros uma manifestação de tristeza (ou de outro sentimento) ativam-se por um mecanismo empático circuitos neurais semelhantes àqueles que modulam as expressões das emoções. Somos feitos para partilhar as emoções e o que é vivido por quem está próximo de nós, da alegria à dor, com tudo aquilo que pode estar no meio. E também Jesus, um homem até ao fundo, era feito assim.

No entanto, até aqui nada de extraordinário. O que espanta em Jesus é como conseguia partilhar as emoções dos outros e até que ponto conseguia assumir a sua experiência.

«Vê como o amava!», exclamam os judeus ao vê-lo chorar pelo amigo Lázaro. É verdadeiro homem, portanto comove-se porque compartilha a dor de Maria; é verdadeiro Deus, por isso fá-lo até ao fundo, com um total envolvimento de si.

“Como” é que Jesus amava Lázaro? Compartilhando até ao fundo o drama da sua morte, implicando-se totalmente naquela dor, saindo de si para estar com o corpo, com o sangue, com a alma e com a divindade ali onde estavam os outros. E é por isso que Jesus convence: porque Ele é tão homem ao ponto de se revelar Deus.

Se também nós queremos testemunhar a boa notícia da amizade e da paternidade de Deus, devemos fazer como Jesus: viver até ao fundo a nossa humanidade como Ele fez, até ao ponto de fazer exclamar a quem nos encontra: «Olha como ama! Olha como consegue estar junto de mim! Olha como compreende o que estou a viver!».

Devemos voltar, como Igreja, a estar junto à dor de quem sofre, devemos chorar com quem chora e alegrar-nos com quem é feliz. Devemos fazê-lo com o corpo e com as emoções, com as lágrimas e com sorrisos, com tempo gasto lado a lado de quem dele precisa. E devemos fazê-lo de maneira extraordinária.

Também nós, como Jesus, temos neurónios espelho. Temos também o seu Espírito, que nos permite fazê-los funcionar como um Deus. É assim que podemos realmente amar como Jesus.


 

Alberto Ravagnani
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: "A ressurreição de Lázaro" (det.) | Giovanni di Paolo
Publicado em 21.03.2023

 

 
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