Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Os 50 anos da Capela Rothko

Um livro publicado este mês nos EUA assinala o 50. aniversário da Capela Rothko, em Houston, Texas, que guarda algumas das últimas pinturas que o expressionista abstrato Mark Rothko criou antes de se suicidar, aos 66 anos. A obra, intitulada “Rothko Chapel: An oasis for reflection” (ed. Rizzoli Electa, 132 páginas), destaca a construção elísia e explora visualmente a complexa cronologia da sua criação.

Os colecionadores de arte norte-americanos Dominique e John de Menil começaram por antever o espaço como uma capela católica romana dentro da Universidade de St. Thomas, e em 1964 encomendaram a Rothko – cujas telas convidam quem as observa a uma experiência “religiosa” – a criação de obras que complementassem o espaço. O edifício octogonal foi mais tarde situado junto à Coleção Menil como um espaço sem denominação religiosa. Rothko, que acreditava que o projeto seria a sua obra maior, mas que estava doente, teve pouca mão na pintura das telas, e qualificou o trabalho como um «tormento».

Rothko morreu em fevereiro de 1970, e a capela abriu um ano depois. Apesar de o próprio Rothko ter considerado a capela «algo para o qual não se quer olhar», conseguiu criar o que perspetivou como um espaço duradouro de peregrinação afastado do centro da arte mundial em Nova Iorque, e um destino que atrai anualmente mais de 100 mil visitantes, que buscam experimental a sua profundidade transcendental. A capela oferece «um vislumbre do eterno», escreve Chrostopher Rothko, filho do artista, no prefácio do livro, acrescentando que se trata de um espaço onde se pode «experimentar coisas fora de nós próprios».



Imagem D.R.


Durante os três primeiros anos do projeto, Rothko acreditou que a capela teria uma denominação católica romana, e por isso baseou o formato dos trípticos do interior em antigas pinturas da crucificação de Jesus. O arquiteto norte-americano Philip Johnson desenhou o espaço octogonal inspirado na igreja bizantina de Santa Maria da Assunção em Veneza. O livro contém vários desenhos e esquemas que fez para a capela antes de se retirar do projeto, na sequência de um desacordo com Rothko sobre a altura da claraboia do edifício. O plano foi mais tarde completado pelos arquitetos Howard Barnstone e Eugene Aubry.

A capela reteve todos os elementos do desenho de Johnson, exceto a claraboia, quando foi completada. Johnson recomendou que a claraboia devia ter uma altura de cerca de 29 metros, de maneira a proporcionar um regulador para o intenso calor e luz do Texas, mas acabou por ter 9,5 metros, obedecendo ao pedido de Rothko, que queria uma claraboia semelhante à do seu estúdio em Nova Iorque. Ao longo de décadas, a luz que entrava na capela através da claraboia teve o potencial de estragar as pinturas, e foi um elemento-chave do projeto de renovação orçado em 30 milhões de dólares que foi revelado em outubro de 2020. O livro também desvela um primeiro olhar para a renovação, que inclui a construção de um edifício para o arquivo e um centro para iniciativas dirigidas ao público.



Imagem D.R.


Dois ensaios incluídos no livro exploram a influência que o padre dominicano Marie-Alain Couturier – conhecido por instalar obras de arte contemporâneas em igrejas francesas – teve em Dominique e John de Menil quando conceberam a sua visão para um espaço ecuménico que o público diz evocar o sagrado e o sublime. A obra também destaca o foco, menos conhecido, que a instituição tem concedido ao debate sobre temas em torno à justiça social nos EUA. No discurso de inauguração do “obelisco partido” criado por Bartnett Newman (1963-69), escultura situada na praça da capela dedicada a Martin Luther King, Dominique de Menil declarou que a obra e a capela «lembram sempre que não há amor sem justiça».

Para marcar o 50. aniversário está previsto um programa que inclui eventos no local e através da internet, incluindo a exibição de um documentário de 1972 escassamente conhecido, realizado por François, um dos filhos de Dominique e John de Menil.









 

Gabriella Angeleti
In The Art Newspaper
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 09.03.2021

 

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos