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O papa e a graça da fraqueza

Há um paradoxo que o cristianismo introduz no mundo e que uma certa narração mundana tem sempre muita dificuldade em aceitar: é a fraqueza o ponto de força do cristianismo, não a sua ausência. E isto por um motivo muito simples: a fraqueza é o sintoma mais eloquente da nossa humanidade. Só se permanecermos humanos poderemos ver agir em nós a graça de Deus.

É por isso que a notícia que o papa Francisco foi internado para se submeter a uma intervenção cirúrgica programada é uma grande ocasião, para cada um de nós, de fazer memória que também Pedro é um homem, e como todo o homem tem também ele ocasiões concretas para fazer a experiência da fraqueza.

Basta ler as narrativas do Evangelho ou dos Atos dos Apóstolos para uma pessoa dar-se conta de que a conversão de Pedro não diz respeito simplesmente a um arrependimento ligado às convicções que desabam sob os duros golpes das horas da paixão. A conversão de Pedro diz respeito ao acolhimento da própria fragilidade redimida naquele pungente diálogo referido pelo Evangelho de João: «Amas-me?», «apascenta as minhas ovelhas». Jesus pronuncia aquele «amas-me» talvez no momento de máxima fraqueza de Pedro.

Gosto de pensar que também esta breve passagem do papa Francisco pela clínica Gemelli é para ele uma ocasião de sentir-se chamado mais profundamente «a apascentar as ovelhas do Senhor» através da incómoda cátedra da fragilidade física, consciente de que a oferta do próprio sofrimento tem um valor imenso aos olhos de Deus, porque nos faz assemelhar mais a Cristo.

Então faz sentido a nossa oração por ele, porque ela não é somente oração pela cura, mas oração de intercessão para que nos ofereça o testemunho mais escandaloso aos olhos do mundo: «Quando sou fraco, é então que sou forte» (2 Coríntios 12).

Nestes últimos anos o papa Francisco recordou-o de muitas maneiras: só se a Igreja não tiver medo de mostrar a sua fraqueza é que será verdadeiramente uma Igreja forte, porque credível.

É muito verdadeira a fulgurante afirmação de Chesterton, que, ao falar de Pedro e da Igreja, diz: «Todos os impérios e todos os reinos ruíram, por causa desta intrínseca e constante fraqueza, por terem sido fundados por homens fortes sobre homens fortes. Mas esta única coisa, a histórica Igreja cristã, foi fundada sobre um homem fraco, e por esse motivo é indestrutível. Porque nenhuma cadeia é mais forte do que o seu elo mais fraco».



 

Luigi Maria Epicoco
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Policlínica Gemelli, Roma, Itália | AP Photo/Alessandra Tarantino
Publicado em 08.07.2021

 

 
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