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O impacto da poesia de Daniel Faria nos não-crentes

«Daniel Faria foi um raro poeta da minha geração que não partiu para a poesia com desconfiança, talvez porque entendesse a linguagem dos poemas como continuação da imagética e da poética bíblica», considera o escritor Pedro Mexia, no mais recente texto que assina no semanário “Expresso”.

Alguns dos poemas do autor nascido em Baltar-Paredes, a 10 de abril de 1971, «assumem-se como formas sucintas de compreender o mundo a partir de uma tradição antiga e de um diálogo hipotético: “Sei que existes e multiplicarás/ A tua falta/ Somarei a tua ausência à minha escuta/ E tu redobrarás a minha vida”».

«O impacto destes poemas em tantos não-crentes nasce de uma dialética entre ausência e certeza, vazio e plenitude. Porque a poesia, não sendo teologia, preserva um enigma, ainda que defina o enigma como “explicação”, observa o cronista.

Depois de assinalar que «entre poesia e teologia há muitíssimas diferenças e uma semelhança: a questão do nosso lugar no mundo», Pedro Mexia sublinha que «a questão do lugar incerto está ligada à questão da finitude, assunto obsessivo em Daniel Faria, como se fosse um pressentimento».

«Neste ano em que faria 50 anos, quero lembrar as suas claras angústias, as suas convicções poéticas que valem toda uma teologia», conclui, depois de acentuar em Daniel Augusto da Cunha Faria «uma invulgar capacidade de chegar a leitores com ou sem inclinação metafísica».

O meio século de vida do poeta «desaparecido tão precocemente», a 9 de junho de 1999, na sequência de um acidente doméstico no mosteiro de Singeverga, quando se preparava para concluir o noviciado, está a ser marcado com um conjunto de iniciativas organizadas pela Casa Daniel, em Granjinha, Tabuaço.

A 12 de junho decorreu na igreja de Santa Maria, Marco de Canaveses, o colóquio ““O olhar das artes sobre a poesia de Daniel Faria”, com testemunhos introduzidos pela presidente da edilidade, Cristina Vieira, e pelo presidente da Associação Casa Daniel, o bispo D. Carlos Azevedo. A sessão terminou com um momento musical e, após o jantar, a encenação teatral “Daniel, nome de poeta”, pela companhia Seiva Trupe.

A comunicação social dá conta da realização de uma residência artística de pintura, “A casa do Daniel”, de 10 a 12 de setembro, orientada pelo ateliê do pintor Alberto Péssimo.

“A poesia de Daniel Faria a partir da Estética” é o título da tertúlia agendada para 4 de outubro, em Madrid, e o primeiro dia de dezembro marca a inauguração da exposição resultante da residência de setembro e a apresentação do livro de atas dos colóquios, em Paredes.

A evocação do cinquentenário faz-se presente de forma permanente com a iniciativa “50 vozes para Daniel”, na qual se podem escutar poemas do autor ditos por personalidades cativadas pela sua poesia.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem: Daniel Faria | D.R.
Publicado em 21.06.2021

 

 

 
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