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Novo número da “Ephata” questiona e revela investigação teológica em Portugal

«Se nos perguntássemos como caracterizar o estado da reflexão teológica no nosso país, poderíamos responder que é resiliente, freática, inacabada. A teologia em Portugal é resiliente pela sua capacidade de existir, apesar de tudo.»: este é o ponto de partida do novo número da revista “Ephata”, publicada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

No editorial do número três, dedicado à “Teologia em Portugal”, reconhece-se que a reflexão «não corre à luz da visibilidade», porque a produção teológica «principal» foi assinada por «figuras que viveram entre a discrição e a invisibilidade».

«Estamos a pensar em pensadores e pensadoras que, não sendo do mester, produziram obras que fazem o corpo daquilo que é a nossa verdadeira tradição. Estamos a pensar em Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Pinharanda Gomes, para não irmos mais longe no tempo nem na periferia do modo como trabalharam os autores que se aventuraram pela porta do mistério revelado de Deus e dos caminhos de uma justa ordenação racional do mundo que é o nosso», observa o autor do editorial.

Jorge Cunha aponta três «tarefas» para a teologia em Portugal, a começar por aquela de «ordem metafísica»: «É decisiva para o pensamento teológico da nossa cultura a aventura pelo vasto campo em que se joga a discussão entre a solução gnóstica para a fundação da nossa mundividência e a revelação do Deus pessoal da fé cristã ortodoxa», debate que «mantém toda a sua atualidade nos dias que correm».



A Igreja «precisa da teologia, como forma de renovação do seu ministério sacerdotal, para que o ensino teológico que ministra não seja somente uma capacitação para o exercício de tarefas, mas uma iniciação à verdadeira humanidade e diaconia de caridade»



E porque a teologia aspira a ser um pensamento que ultrapassa os estudantes e investigadores, ela «tem um contributo decisivo a dar no que toca à fundação do modelo de convivência» da sociedade, contrariando o «laicismo», tendência proveniente do liberalismo «que considera a atitude religiosa como nociva à liberdade, ao progresso e à democracia».

«Nunca houve em Portugal uma educação moral que vise a autonomia, antes de propor e impor as ideologias mais correntes. Não só não houve educação moral como estão por pensar as questões da nossa história, tais como o sentido da epopeia dos Descobrimentos, que culminou numa Guerra Colonial, que continua no limbo das coisas por pensar com responsabilidade ética», assinala o texto.

A terceira tarefa da teologia liga-se explicitamente à Igreja católica, que, «como comunidade predominante» em Portugal, necessita de «desenvolver a teologia como forma de pensar a crise que está a viver», bem como para o seu «“ajornamento” e para superar o paternalismo da sua tradição».

A Igreja, sublinha o editorial, «precisa da teologia, como forma de renovação do seu ministério sacerdotal, para que o ensino teológico que ministra não seja somente uma capacitação para o exercício de tarefas, mas uma iniciação à verdadeira humanidade e diaconia de caridade».

Os artigos da “Ephata”, disponíveis para leitura gratuita, começam por “Uma filosofia perpassada de espiritualidade: sobre alguns vetores teológicos do ‘Curso Filosófico Conimbricens’” (Mário Santiago de Carvalho), e prosseguem com “A controvérsia teológica sobre a ‘Scientia Media’ e a liberdade humana nas ‘Quaestiones Selectae ex penitiore Theologia’ do Oratoriano João Baptista” (Maria Manuela Brito Martins).

“O ‘Livro da Natureza’ de Santo António ao Pe. António Vieira” (Martinho Soares), “Teologia e ética no pensamento português” (Jorge Teixeira da Cunha), “Interpelações à Teologia na obra do Padre Manuel Antunes” (José Acácio Aguiar de Castro), “A correlação entre filosofia e teologia, razão e fé, na Metafísica da Manifestação de Joaquim Cerqueira Gonçalves” (Samuel Dimas), “Rebentos tardios da velha árvore acerca do diálogo entre a literatura e a teologia em Portugal” (José Rui Teixeira) e “Relações exteriores da Faculdade de Teologia (1968-1981)” (António Montes Moreira) completam a edição.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 05.07.2021

 

 

 
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