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Leitura do dia: Não peças o assombro, escuta os profetas, lê os sinais dos tempos

A história de Jonas (Miqueias 6,1-4.6-8) é sobre arrependimento, e Jesus usa-a para lembrar os seus contemporâneos de que eles também têm se arrepender. O profeta Jonas foi enviado por Deus a Nínive, cidade sinónimo do mal, para lhe dar a oportunidade de se arrepender. Por mais improvável que parecesse, a poderosa capital da Assíria, o grande inimigo de Israel, acabou por se arrepender, e foi poupada. Era suposto que Israel, o povo escolhido por Deus, conhecesse esta história, e, consequentemente, se arrependesse rapidamente.

Outro sinal dentro do sinal de Jonas compara o tempo que o profeta passou dentro da barriga da baleia com os três dias de Jesus no túmulo (Mateus 12,38-42). Este sinal só intesificou o apelo ao arrependimento. Um mensageiro de volta dos mortos tinha avisado Israel do desastre iminente, mas a nação ignorou o sinal e foi destruída durante a guerra judaico-romana, que arrasou a cidade e o templo, e expulsou o povo da região. Mateus, que testemunhou este desastre a partir de Antioquia, onde o seu Evangelho foi composto, salientou a tragédia do fracasso de Jerusalém em reconhecer Jesus. Ele era como profeta de Deus, maior que Jonas e que Salomão, cuja sabedoria havia guiado a rainha do Sul.

Estas histórias e imagens podem parecer distantes de nós no tempo e na relevância, mas a lição está encrustada na História, e o tema do arrependimento é sempre relevante. A Palavra de Deus convida-nos a refletir nas crises atuais que o mundo está a enfrentar em muitas frentes: alterações climáticas, a miséria dos pobres, a ameaça de guerras sem fim, corrupção política e disparidades globais que se acentuaram com a pandemia e a instabilidade financeira.

Jesus repreendeu os seus críticos por pedirem um sinal, como se fosse necessário algum sinal celestial extraordinário, além das óbvias advertências para a mudança. A crise serve para nos despertar, e o colapso pode ser um avanço, se soubermos ler os sinais dos tempos. Por exemplo, o que é que é preciso mais para convencer o mundo de que as alterações climáticas são reais, que a desigualdade na distribuição do rendimento e a injustiça social não podem ser sustentadas indefinidamente, que milhões de pessoas desesperadas não podem ser impedidas de tomar medidas desesperadas para sobreviver?

Cada problema tem os seus profetas, entre os quais o papa Francisco, ambientalistas, cientistas, ativistas, defensores dos pobres, em favor de reformas, justiça racial, mudança política, direitos humanos. São muitas as pessoas em todo o mundo, crentes e não crentes, cristãs ou de outras pertenças religiosas, de quem celebramos as vidas de serviço; mas será que escutamos e concretizamos as suas mensagens?

O Profeta Miqueias exasperou-se com os fracassos dos seus contemporâneos, cansado de lembrá-los de que Deus os tinha abençoado com liberdade e prosperidade, mas apenas constatava a sua falsa piedade e indiferença social em relação aos pobres, aos residentes estrangeiros, aos trabalhadores. Deus pediu tão pouco e, para o resumir nos termos mais simples, Miqueias sintetizou-o para eles, e para nós:

«Já te foi revelado, ó homem, o que é bom,o que o Senhor requer de ti: nada mais do que praticares a justiça, amares a lealdade e andares humildemente diante do teu Deus» (6,8).


 

Pat Marrin
In National Catholic Reporter
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: "Viajantes pobres à porta de um convento capuchinho" (det.) | William Collins
Publicado em 20.07.2020

 

 
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