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Nada será como antes após a pandemia - para os direitos humanos, ficará pior

Há o risco concreto que os direitos das pessoas que os estão arduamente a reconquistar, depois de os terem perdidos, estejam novamente em causa por causa da pandemia, e que esses seres humanos possam voltar a tombar no drama, ainda que com o reencontrado e importante direito à liberdade, mas não com o direito à saúde ou ao trabalho.

Falamos das vítimas do tráfico, sobretudo migrantes, e em várias partes do mundo, que têm uma aliada preciosa na Talitha Kum, a rede internacional formada por membros da vida consagrada (hoje são cerca de 2600 em 80 países) nascida em 2009 como projeto da União Internacional das Superiores Maiores, em colaboração com a União Internacional dos Superiores-Gerais.

A organização é coordenada há cinco anos pela missionária comboniana Gabriella Bottani: «Nada será como antes: o sério aumento das vulnerabilidades já nos fez ver e compreender que a complexidade e as dificuldades do nosso serviço serão particularmente difíceis, sobretudo na área da reinserção social e laboral das vítimas, de quem sai do tráfico e inicia percursos de reinserção social».

«São várias as pessoas que estamos a acompanhar porque perderam trabalhos particularmente atingidos pela crise pandémica, se só pensarmos em todo o campo dos serviços. Como enfrentar este momento? Para nós é um grande ponto de interrogação, considerando, depois, o facto de que houve um aumento dos custos dentro das casas de acolhimento e para os serviços de acompanhamento das pessoas que sobreviveram ao tráfico», explica a religiosa italiana.

A União Internacional das Superiores Maiores ativou fundos para as casas de acolhimento, com distribuição a nível internacional, «ainda que sejam pequenas gotas em relação ao problema real». Com efeito, «uma das coisas que o coronavírus aumentou foi a dificuldade no acesso à alimentação e aos bens de primeira necessidade».

«Julgo que o Covid-19 evidenciou, entre os outros direitos em jogo, o da saúde, que não é só o acesso à vacina, mas diz respeito a uma saúde que vai mais além: penso na saúde mental, na “revitimização”, no trauma sobre trauma que foi vivido através daquelas que foram, precisamente, as consequências do confinamento», acentua.

Uma «boa parte das vítimas pertence a populações migrantes; portanto, tudo deve ser considerado a par daqueles que são os problemas ligados a grupos de pessoas que se encontram em condições de não ter nem os documentos devidos, e a quem, consequentemente, não são reconhecidos os direitos em várias partes do mundo, inclusive na Europa, mas não só», frisa a Ir. Gabriella.


 

Igor Traboni
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 10.12.2020

 

 
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