

A obra que apresentamos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem é de um maestro pouco conhecido, mas não deixa de ser soberba, tipicamente barroca, com as sonoridades majestosas a que aquele período musical nos habituou.
Rupert Ignaz Mayr (1646-1712) foi um compositor alemão nascido em Schärding. Destacou-se também por ser um extraordinário violinista, instrumento que se aprecia nas suas composições, como a que aqui propomos.
Entre os vários trabalhos que o ocuparam, passou pela corte de Munique, em 1683. O príncipe-eleitor cedo apreciou o seu valor e talento, tendo-o enviado para estudar em Paris. Em 1706 mudou-se para Freising, onde continuou a escrever música religiosa e de câmara, a par de pequenas óperas.
Apesar de todas as influências, começando pela francesa, a música de Mayr permaneceu italiana e inspirada pelo século XVII.
Escutamos hoje “Ave Regina coelorum”, composta para alto, violino e baixo contínuo, publicada em 1681. Percebe-se, nesta peça, porque é que Mayr foi um mestre do violino, que assume o protagonismo, em vez da voz humana.
A peça começa com uma extensa sinfonia em forma de prelúdio para violino e baixo contínuo. Depois dela, a voz ocupa o primeiro lugar, mas como imitação dos embelezamentos do violino. Ambos dialogam, para não dizer que competem.
Outro interlúdio a cargo do violino dá lugar à estrofe da antífona “Gaude, Virgo gloriosa). De novo a voz emerge a imitar o instrumento. A peça termina com especial alegria e emoção.
A interpretação é de Ida Aldrian (alto) e do Ensemble Castor.
Programa | D.R.