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Eleições nos EUA: Missão dos católicos «é maior do que a política»

Em tempo de votação, penso que todos reconhecemos que há alguns problemas na nossa democracia. Vemos o óbvio – a polarização, a falta de caridade e civilidade sobre como falamos acerca das nossas diferenças; vemos as dificuldades que os nossos líderes políticos parecem ter para trabalhar juntos e comprometerem-se pelo bem comum. Mas as questões mais profundas sobre a nossa democracia começam no no coração humano: quem somos e porquê?

A menos que saibamos o que significa o que é um ser humano, não podemos saber como criar uma sociedade que seja boa para os seres humanos. Não podemos saber o que é a justiça, o que é uma vida boa, qual é a melhor maneira para viver e trabalhar.

A nossa sociedade diz-nos hoje que nós, humanos, somos “indivíduos expressivos”, que não temos relacionamentos necessários com os outros; que a nossa única obrigação é perseguir os nossos próprios desejos.

É porque a nossa sociedade pensa na pessoa humana nesses termos que, muitas vezes, vemos mensagens e agendas na nossa cultura que promovem essa ideia de que as pessoas devem ser totalmente livres para definir a sua própria felicidade, e que nada deve impedir a maneira como desejam viver.



Estamos aqui para servir a Deus e testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo e a vinda de seu reino. Fazemos isso, em primeiro lugar, ao viver fielmente como Jesus nos ensina a viver, mesmo quando os seus mandamentos e prioridades para as nossas vidas não são populares ou sofrem oposição da nossa cultura e sociedade



Mas o que a sociedade está hoje a dizer-nos é que não é disso que a vida humana se trata.

Seguir esse caminho não deixa as pessoas felizes. Vemos isso nas dependências e doenças mentais generalizadas, nas epidemias do abuso de drogas e do suicídio. E muita da violência e injustiça na nossa sociedade pode ser atribuída a essa visão egoísta da pessoa humana, que conduz a uma indiferença em relação às necessidades dos outros.

A verdade é que não nos criamos a nós mesmos. Ser humano é ser uma “criatura”, ser criado. Viemos a este mundo como homens ou mulheres. Nascemos em famílias e comunidades, temos parentes e histórias. Não somos indivíduos isolados. Temos uma necessidade básica de ser amados e cuidados, e temos uma necessidade básica de amar e cuidar dos outros. Somos feitos para pertencer e estar em relacionamentos - com outras pessoas, com o mundo em que vivemos, e com o nosso Criador.

O nosso Criador revelou-nos que é um Pai, que nos fez à sua imagem e semelhança, que nos deu não apenas os nossos corpos, mas também as nossas almas. E o nosso Criador faz cada um de nós por uma razão. Ele tem um plano, um destino de amor para cada uma das nossas vidas.

A América foi construída com base nessas verdades religiosas básicas sobre a pessoa humana.

Os nossos fundadores insistiram que a democracia não pode ser mantida sem a religião e sem as virtudes e valores que a religião traz, especialmente as virtudes da disciplina pessoal e os valores da família e da comunidade.

E precisamos de recordar: os compromissos fundamentais deste país com a igualdade e os direitos humanos não têm fundamento separados desta crença num Criador que dota homens e mulheres com direitos inalienáveis.



Mais importante de tudo, precisamos de estar comprometidos e vigilantes sobre como transmitir essa história – o nosso estilo de vida católico – para a geração mais jovem



É por isso que a indiferença em relação à religião na vida pública americana e a marginalização dos crentes religiosos é tão preocupante. E é por isso que, mesmo para além desta eleição, a nossa missão como Igreja e o nosso dever como católicos continuam a ser maiores do que a política.

Estamos aqui para servir a Deus e testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo e a vinda de seu reino. Fazemos isso, em primeiro lugar, ao viver fielmente como Jesus nos ensina a viver, mesmo quando os seus mandamentos e prioridades para as nossas vidas não são populares ou sofrem oposição da nossa cultura e sociedade.

A coisa mais importante que podemos fazer agora, como católicos na América, é fortalecer e compartilhar a nossa fé, com alegria e confiança.

Agora é a hora de construir as nossas paróquias, escolas, famílias e comunidades. Precisamos de orar juntos, ler a Bíblia juntos, encontrar novas maneiras de nos reunirmos e apoiarmos uns aos outros na vida de nossa fé. Precisamos de ver as nossas vidas e o nosso mundo à luz da "história" cristã, à luz dos Evangelhos e do Novo Testamento, à luz do plano contínuo do amor de Deus na história.

Mais importante de tudo, precisamos de estar comprometidos e vigilantes sobre como transmitir essa história – o nosso estilo de vida católico – para a geração mais jovem.

Como católicos, precisamos de testemunhar o que significa realmente a vida humana. Fazemos isso ao servir o próximo com sacrifício e amor, a cuidar dos idosos e vulneráveis, a ajudar as mães e os seus filhos, a ajudar casais e famílias a crescer e a prosperar.

Este projeto é muito maior do que a política. Mas é para isso que estamos aqui. E se vivermos a nossa fé com corações generosos e gratos, podemos renovar a alma da nossa nação.

Reze por mim esta semana, e eu rezarei por si. E confiemos esta grande nação a Maria, nossa Mãe Santíssima, e ao seu Coração Imaculado.


 

D.. José Gomez
Presidente da Conferência Episcopal dos EUA
In Angelus
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Milkos/Bigstock.com
Publicado em 02.11.2020

 

 
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