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Diocese de Angra

"Indigências": Igreja acolhe arte contemporânea e alerta para problemas sociais

A paróquia de S. José, em Ponta Delgada, Açores, organiza desde junho um projeto inovador que pretende alertar para problemas sociais graves, como a solidão ou o desemprego, através de obras de arte e manifestações culturais.

 

Identidade do projeto
P. Duarte Melo, pároco de S. José

“Indigências” é um projeto da Pastoral Cultural da paróquia de São José, em Ponta Delgada, que nasce a partir da constatação de uma realidade de extrema pobreza instalada no Campo de São Francisco.

A Igreja, enquanto realidade de convocados, presente nas circunstâncias do tempo e do mundo, deve procurar encontrar-se com a indigência e com a beleza, promovendo a diversidade cultural. Para a Igreja, a cultura é um campo fundamental no anúncio da novidade que surpreende.

“Indigências”, como projeto cultural, tem por missão dar a conhecer variadas toponímias criativas e espirituais da contemporaneidade, vivenciadas e experimentadas em território nosso.

O projeto anuncia-se como inquietante e perturbador e quer-se próximo de todas as expressões da beleza, da bondade e da solidariedade.

Imagem"Kenosis", criada por Urbano, foi instalada no interior da igreja de S. José

 

Arte, teologia e justiça
Agência Lusa

«O espaço vai ser povoado por arte contemporânea, com artistas residentes. São as obras de arte a conviver com o culto, a liturgia e a devoção», afirmou o padre Duarte Melo, acrescentando que, «ao passarem pela igreja para ir ver uma exposição ou uma peça de arte, as pessoas vão também olhar para o que está no Campo de S. Francisco».

«É um projeto muito abrangente, que tem uma cumplicidade no campo das artes, no campo teológico e no campo social, sobretudo da justiça», afirmou Duarte Melo, em declarações à Lusa, acrescentando que, durante cerca de um ano, a Igreja de S. José terá «todos os dias» uma obra de arte contemporânea em exposição, além de conferências, concertos, espetáculos de teatro e de expressão corporal, entre outras iniciativas culturais.

O objetivo deste projeto é apelar à «consciência cívica» das pessoas que se desloquem à igreja, confrontando-as com os problemas sociais que existem no Campo de S. Francisco.

FotoIgreja de S. José

«As pessoas até poderão interrogar-se sobre a colocação de uma obra de arte na igreja, mas a ideia principal é que pensem no que está lá fora», frisou o pároco, referindo-se aos sem-abrigo, toxicodependentes e alcoólicos que se encontram no Campo de S. Francisco, que considerou estarem «remetidos para a exclusão numa zona nobre da cidade».

Duarte Melo alertou que a situação no Campo de S. Francisco tem vindo «a piorar», salientando que a zona está a transformar-se num «local de referência para o convívio entre os sem-abrigo, mergulhados numa grande solidão».

«Podemos dar mais alguma coisa, que não se limite à distribuição de uma sopa ou de metadona. A sociedade tem que se sentir indigente para se transformar e isso poderá passar por uma palavra que pode transformar uma vida», frisou.

O sacerdote salientou, por outro lado, que este projeto pretende também preservar o património cultural da igreja de S. José, que está a ser inventariado, além de divulgar a cultura e a arte através da igreja, já que «muitas pessoas vão às igrejas, mas poucas vão aos museus, às galerias e aos centros de cultura».

 

 

 

26.07.12

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Urbano: Kenosis

 

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