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“Graças a Deus” finaliza ciclo sobre figurações do padre no cinema

“Graças a Deus”, filme que François Ozon «dedica ao tema, melindroso, dos abusos sexuais praticados por eclesiásticos sobre vítimas indefesas», finaliza nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, o ciclo “Vasos de barro – Figurações do padre na lente do cinema”, organizado pelo Seminário Conciliar de Braga, por ocasião das comemorações dos 450 anos de criação.

«Indagando causas e consequências através do traumático regresso ao passado das três personagens sobre as quais a pedofilia do Pe. Preynat e o negligente silêncio/negação do Cardeal Barbarin (também aqui qualquer semelhança com a realidade é/foi muito mais do que pura coincidência) deixou cicatrizes profundas», o cineasta francês «pega no dossier com pinças, evitando exposições e sensacionalismos», conseguindo uma «aproximação séria – embora nem sempre coerente no que respeita ao registo – a um universo complexo, tecido de segredos e mentiras», escreve o P. Miguel Miranda.

Neste filme de 2018, que se intitula com «brutal» ironia , «ao remeter diretamente para a conferência de imprensa em que Barbarin usa uma das mais religiosas expressões para suspirar de alívio pela prescrição dos crimes…), há crises de fé, há discernimento, há (alguma) investigação acerca dos mecanismos de que a Igreja se vale tanto para proteger as vítimas como para arrastar os casos».

«Luzes e sombras: com três homens que, nas mãos doutro realizador poderiam não ter passado de uma caricatura, Ozon, constrói um filme sobre o medo, as certezas abaladas, os mecanismos de vitimização (no caso de Preynat), a omissão e a vergonha, mas também sobre o perdão, a cura, a misericórdia e a justiça. “Ainda acreditas em Deus?”, perguntam no final a Alexandre. Um silêncio e um sorriso são a resposta para fazer pensar», conclui o P. Miguel Miranda.

O drama de 2h17, que conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim, é exibido às 21h15 no Auditório Vita, em Braga, com entrada gratuita. À semelhança do que aconteceu nos dois filmes anteriormente apresentados (“Corpus Christi”, de Jan Komasa; “No coração da escuridão”, de Paul Schrader), no final da sessão haverá um tempo para comentários, orientado pela leiga consagrada Alzira Fernandes.

O programa das comemorações dos 450 anos inclui concertos, celebrações, artigos na imprensa, publicações, um congresso, exposições e atividades de dinamização da pastoral vocacional, que visam «dignificar uma das mais emblemáticas obras» do fundador do Seminário, S. Bartolomeu dos Mártires.



Imagem D.R.







 

Rui Jorge Martins
Imagem: "Graças a Deus" | François Ozon | D.R.
Publicado em 23.02.2022

 

 
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