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«Fé e cultura nasceram para caminhar juntas, por muito que alguns o queiram negar»

O arcebispo de Braga considera que «fé e cultura nasceram para caminhar juntas, por muito que alguns o queiram negar», e defende que «a fraternidade é o princípio social que esta a faltar à cultura moderna».

Ao falar no encontro de professores de Educação Moral e Religiosa Católica que decorreu esta segunda-feira, em Braga, D. Jorge Ortiga frisou que «ligar a fé à cultura não é uma simples preocupação religiosa», antes «repercute-se na cidadania e gera responsabilidade perante a sociedade a construir».

Na sequência da mais recente encíclica do papa Francisco, “Fratelli tutti”, o prelado expressou a convicção de que é através do «novo paradigma cultural» representado pela «cultura da fraternidade» que passa «a identidade e diferença» da Escola Católica «em relação a tantas outras propostas» educativas.

«A fraternidade deve ser universal mas terá de encontrar nos pobres uma opção mais visível, suscitando atitudes não só em campanhas de solidariedade, mas de um compromisso para que as causas das misérias humanas desapareçam», sublinhou.



«Não impomos uma cultura. Como diz o papa Bento XVI, tudo deverá acontecer por “atração”. O papa Francisco especificou dizendo “por transbordamento”. Outrora bastavam aulas. Hoje, muitas vezes, são contraproducentes»



D, Jorge Ortiga reconhece que «nunca foi pacífica a relação entre a fé e a cultura. Muitos falam da sua incompatibilidade e outros gostariam que fosse um matrimónio fácil e duradoiro».

Para obter o «equilíbrio adequado», é preciso evitar «uma fé desligada da cultura», que «com muita facilidade significa impor um conjunto de valores que apenas alguns acolhem, perdendo-se as condições necessárias para um acesso universal».

«Por seu lado, uma cultura separada de fé será sempre algo de incompleto e nunca terá capacidade de responder a necessidades fundamentais e estruturantes da vida. Faltam-lhe horizontes e as respostas às questões fundamentais escasseiam», acrescentou.

No entender do arcebispo primaz, «a fé, revestindo-se de formas culturais, deve fazer parte do projeto educativo. Nunca algo imposto ou decorativo por meio de algumas iniciativas religiosas».

«Não impomos uma cultura. Como diz o papa Bento XVI, tudo deverá acontecer por “atração”. O papa Francisco especificou dizendo “por transbordamento”. Outrora bastavam aulas. Hoje, muitas vezes, são contraproducentes», assinalou.



Esta cultura do encontro, «como expressão e vivência da fé, terá de se alargar à natureza», e neste domínio a “Laudato si’”, encíclica de Francisco, «pode e deve ser compêndio a permear toda a formação», porque «não bastam algumas aulas sobre a natureza»



Neste contexto, como perspetiva D. Jorge Ortiga a Igreja? «Não é um refúgio, um lugar onde nos escondemos para evitar as intempéries», mas «o ginásio onde se treina, se exercita e se afere a qualidade da proposta cultural do seu projeto educativo».

Das ideias à sua execução: o papa «tem vindo a propor uma cultura que não consiste em meras reflexões teóricas, mas que envolve a vida com todas as problemáticas que ela encerra. Vai-lhe dando diversos nomes. A cultura do encontro é a mais emblemática e deverá fazer parte do ideário da Escola Católica. É cultura e expressa a fé».

Esta cultura do encontro, «como expressão e vivência da fé, terá de se alargar à natureza», e neste domínio a “Laudato si’”, encíclica de Francisco, «pode e deve ser compêndio a permear toda a formação», porque «não bastam algumas aulas sobre a natureza»: «O respeito por ela é a vertente cultural mais fundamental para os dias de hoje».

Igualmente importante para a cultura do encontro é «o coletivo»: «Já o Papa S. João Paulo II falava de uma cultura do “nós” a exigir também uma espiritualidade comunitária. Não podemos ser ilhas ou navegadores solitários».

Depois de observar que «não é fácil» estar numa «arena onde outros jogam com armas mais atrativas e a mentalidade corrente arrasta», D. Jorge Ortiga alerta que, na Escola Católica, «não bastam professores competentes», porque «podem estar a construir intelectualmente e a destruir em responsabilidade cristã».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Arquidiocese de Braga
Imagem: Capela Árvore da Vida | Braga
Publicado em 23.02.2021

 

 
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