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Escola das Artes: Igreja católica na vanguarda do ensino e investigação da cultura contemporânea

Cinema, Som e imagem, Fotografia, Ensino de Música, Design de Som, Gestão de Indústrias Criativas, New Media Art, Animação: estes são alguns dos cursos propostos pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa para o ano letivo de 2021/22, que colocam esta instituição da Igreja na vanguarda do ensino e da investigação no domínio da cultura contemporânea.

É comum a ideia de que a Igreja católica “congelou” nos séculos passados os seus horizontes em relação à arte e à criação artística, mas a oferta formativa da Escola sediada no Porto, e o investimento que implica, sugerem outra perspetiva, reforçada com as distinções atribuídas aos antigos alunos, como foi o caso recente de Mário Macedo, vencedor do Prémio de Melhor Realizador da Competição Nacional do Festival de Curtas de Vila do Conde.

O curso de Conservação e Restauro completa as formações disponíveis, que podem ser frequentadas, consoante os casos, em regime de licenciatura, pós-graduação, mestrado e doutoramento, lecionados por mais de trinta professores, a que se juntam personalidades convidadas.

No campo da investigação, a Escola, com mais de duas décadas de existência, fundou o Digital Creativity Center, que incide nas artes digitais e interativas, música através de computador, artes audiovisuais e cinemáticas e animação computorizada.



«A abertura para a cidade e para a comunidade é, para nós, fundamental, assim como romper com qualquer ideia de arte académica e de percursos artísticos que são validados através do sistema da arte feita para os jornais que só existem nas bases de dados académicas»



Por seu lado, o Centro de Conservação e Restauro aposta na «preservação e recuperação do património cultural e artístico, promovendo o seu estudo, salvaguarda e valorização», envolvendo «uma equipa de profissionais altamente qualificada e multidisciplinar que, para além dos conservadores-restauradores (com diferentes áreas de especialização), inclui historiadores da arte, bem como químicos e fotógrafos, especializados em diversos métodos de exame e análise aplicados à conservação de obras de arte».

«Compreender porque o gesto é um elemento humano crucial na indução de expressão, ‘embodiment’, sentido e empatia», «compreender melhor a forma como a nossa condição presente influencia a renovação de leituras e audições de realizações artísticas passadas» e «promover mecanismos de criação artística através de uma melhor compreensão das estratégias narrativas e do funcionamento da intuição» constituem os três primeiros eixos do plano estratégico do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes.

Paralelamente ao ensino, é dinamizado um cineclube, conferências, oficinas, exposições e residências artísticas, e decidiu apoiar o galardão da Competição Nacional do Festival de Curtas de Vila do Conde, que este ano se denominou  Prémio Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa,  com valor de 1500 euros.

Em 2017 foi criada uma galeria de exposições que visa ser um espaço de colaboração com artistas com os quais a comunidade da Escola das Artes, explicou o seu diretor, habitualmente não convive: «Um lugar onde somos confrontados com outros modos de fazer, de pensar e de entender o que é a investigação e a prática artísticas».



Nos vários departamentos da Escola importa «promover não uma uniformização de linguagem, de estilos ou de interesses» mas, nas «diferenças», «reconhecer o valor daquilo que o outro apresenta»



«A abertura para a cidade e para a comunidade é, para nós, fundamental, assim como romper com qualquer ideia de arte académica e de percursos artísticos que são validados através do sistema da arte feita para os jornais que só existem nas bases de dados académicas. O que nos interessa é, desde o mais cedo possível, ter os nossos alunos expostos àquilo que é a realidade das galerias, dos espaços expositivos geridos por artistas, daquilo que é uma cena artística mais alternativa, mais ortodoxa, o que é uma exposição em Serralves, o que é uma exposição organizada num espaço efémero, e é aí que queremos estar», apontou Nuno Crespo.

Em entrevista publicada pela Umbigo Magazine o dia 7 de julho, o responsável, que dirige a Escola das Artes desde 2017, considera que «o elemento desafiante daquilo que é o ensino, é promover - apesar de toda a formalidade que o conhecimento e a investigação no contexto da universidade devem ter -  o desenvolvimento de indivíduos que pensam por si», «contra» e «para além» da Escola.

«Não é encontrar um conjunto de indivíduos que segue um modelo, mas que podem seguir um modelo. Isso é que é muito interessante no nosso espaço expositivo. É esse espaço de liberdade, de fazer e de pensar que, para nós, é importante», acrescentou o autor de “Arte. Crítica. Política” (organização e edição) (Tinta-da-China, 2016), “Julião Sarmento: olhar animal” (Cooperativa Árvore, 2014) e “Wittgenstein e a estética” (Assírio & Alvim, 2011)

Nos vários departamentos da Escola importa «promover não uma uniformização de linguagem, de estilos ou de interesses» mas, nas «diferenças», «reconhecer o valor daquilo que o outro apresenta».

«Exige de nós um trabalho permanente de tentar descobrir o que cada uma das pessoas que aqui está connosco verdadeiramente quer fazer, e nós acreditamos muito no modelo tutorial, no modelo de trabalho individual, e entendemos mesmo que a escola é um sítio aberto de discussão», sublinhou Nuno Crespo.

Entre hoje e sexta-feira a iniciativa Teen Academy proporciona a estudantes do 10.º ao 12.º ano a «oportunidade de explorarem diferentes profissões e áreas do saber através de uma experiência única em ambiente universitário», com tardes de cinema, som e imagem.









 

Rui Jorge Martins
Fonte: Umbigo Magazine
Imagem: D.R.
Publicado em 28.07.2021

 

 

 
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