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Música: Ennio Morricone recebeu medalha de ouro do pontificado

É uma carreira repleta de reconhecimentos, mas este é especial: o compositor Ennio Morricone recebeu esta segunda-feira a medalha de ouro do pontificado, que o papa Francisco lhe conferiu «pelo seu extraordinário empenho artístico, que teve também aspetos de natureza religiosa».

A distinção ao maestro de 90 anos, que passará por Portugal a 6 de maio, com um concerto na Altice Arena, em Lisboa, incluída na digressão mundial de despedida dos palcos, foi entregue pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, em Roma, na igreja de Sant’Agnese in Agone.

Nascido em Roma, Morricone compôs mais de 500 melodias para cinema e televisão, vendeu mais de 70 milhões de discos e conquistou o Óscar pela sua carreira em 2007, e em 2016 pela melhor banda sonora, referente ao filme “Os oito odiados”, de Quentin Tarantino.

Em 2015, compôs e dirigiu a estreia mundial da missa que concebeu para marcar o 200.º centenário da restauração dos Jesuítas (1814-2014), tendo-a dedicado ao papa Francisco, que qualificou de personalidade «excecional, pela simplicidade e por uma ideia de poder da Igreja que está a eliminar».



«Trabalhando sobre três elementos que não podia ignorar, o oboé do jesuíta padre Gabriel, a música coral e a étnica dos índios, penso que foi um milagre ter conseguido compor uma música em que três combinações independentes de sons funcionavam inclusive simultaneamente»



«É uma cruz que toca. Não penso que exista algo precedente do género: dois trompetes com duas composições diversas, uma trompa que emite um som baixo, leve, e a verticalidade da orquestra. Ao final, a cruz ganha forma e criam-se doze sons diferentes, como os múltiplos de três. Escrevi a pensar na Trindade», explicou.

Um das peças que mais o tornou conhecido terá sido a banda sonora do filme “A missão” (1986), sobre missionários jesuítas na América, disco que vendeu mais de três milhões de cópias.

O coprodutor da película, Fernando Ghia, levou Morricone a Londres para assistir à projeção: «Diante do final, chorei; aquele massacre de índios e de jesuítas por mãos portuguesas e espanholas. Tinha à minha frente o realizador e os dois produtores, e disse: «Não, não faço [a banda sonora], está belíssimo assim», recordou em entrevista publicada em 2016.

«Creio que fiquei meia hora a chorar. E eles insistiam. Por fim cedi: “Faço a música”. Não queria fazê-la porque se a falhasse, poderia ter arruinado o filme. Trabalhando sobre três elementos que não podia ignorar, o oboé do jesuíta padre Gabriel, a música coral e a étnica dos índios, penso que foi um milagre ter conseguido compor uma música em que três combinações independentes de sons funcionavam inclusive simultaneamente», assinalou.

Para Morricone, «a música está seguramente próxima de Deus. Ao mesmo tempo, a música é projetada na alma e no cérebro do homem. Permite-lhe meditar», afirmou, antes de reiterar: «A música é a única arte que nos aproxima verdadeiramente do Pai eterno e da eternidade.»

Morricone concorda que a música pode ser oração, mas para além daquela é preciso «palavras, intenções, concentração».

«Eu rezo uma hora por dia, mas também mais. É a primeira coisa que faço. E ao longo do dia. De manhã detenho-me diante da imagem de Cristo. E também à noite. Espero que as minhas orações sejam escutadas.»









 

Rui Jorge Martins
Fontes: RaiNews, Famiglia Cristiana
Imagem: D.R.
Publicado em 16.04.2019

 

 
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