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É uma «fantasia» desprezar o próximo e dizer que se ama Deus

«Os mexericos são como os rebuçados de mel, que também são bons, um puxa outro e outro, e depois o estômago arruína-se com tantos rebuçados. Porque é belo, é doce bisbilhotar, parece uma coisa bela; mas destrói. E isto é sinal de que tu não amas.»

Estas palavras foram hoje proferidas pelo papa numa homilia em que apontou para a «luta de todos os dias» contra o «espírito do mundo», que é «mentiroso» e que, como está «cheio de ar», vive de «aparências, sem consistência», inspirando uma contradição insanável: não se pode dizer que se ama Deus e desprezar o próximo.

«O espírito do mundo é o espírito da vaidade, das coisas que não têm força, que não têm fundamento e que caem», afirmou Francisco na missa a que presidiu, na qual meditou na primeira leitura bíblica proclamada nas celebrações desta quinta-feira (1 João 4,19-5, 14).

Retomando as palavras do texto, o papa vincou que quando não se é «capaz de amar uma coisa que se vê», como são as pessoas, «como serás alguma vez capaz de amar quem não vês», ou seja, Deus? É impossível, é uma «fantasia».

«Se não és capaz de amar Deus no concreto, não é verdade que amas Deus. E o espírito do mundo é um espírito de divisão e quando se imiscui na família, na comunidade, na sociedade, cria sempre divisões, sempre. E as divisões crescem e vem e o ódio e a guerra», comentou o papa.



«O espírito do mundo vence-se com este espírito de fé: acreditar que Deus está no meu irmão, na minha irmã. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé. Só com muita fé pode andar-se nesta estrada»



São três as marcas que assinalam o amor pelo próximo: «O primeiro sinal, pergunta que todos devemos fazer: eu rezo pelas pessoas? Por todas, concretas, aquelas que me são simpáticas e aquelas que me são antipáticas, aquelas que são amigas e aquelas que não são amigas».

«Segundo sinal: quanto eu sinto dentro de mim sentimentos de ciúme, de inveja, e me chega a vontade de desejar-lhe mal; é um sinal que tu não amas. Detém-te aí. Não deixar crescer estes sentimentos: são perigosos. Não os deixar crescer», prosseguiu.

E, por fim, «o sinal mais quotidiano de que eu não amo o próximo, e portanto não posso dizer que amo Deus, é o mexerico»: «Metamos no coração e na cabeça, claramente: se eu digo mexericos, não amo Deus porque com os mexericos estou a destruir aquela pessoa».

Quando alguém deixa os mexericos, o papa dirá que está «muito próxima de Deus», porque não fazer mexerico «protege o próximo, protege Deus no próximo».

«O espírito do mundo vence-se com este espírito de fé: acreditar que Deus está no meu irmão, na minha irmã. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé. Só com muita fé pode andar-se nesta estrada, não com pensamentos humanos de bom senso; não, não servem. Ajudam mas não servem para esta luta», vincou.

Para Francisco, «só a fé» dá a força para «rezar por todos, inclusive pelos inimigos, e não deixar crescer os sentimentos de ciúme e inveja».

«O Senhor, com este excerto da primeira leitura de S. João apóstolo, pede-nos concretude no amor. Amar Deus: mas se tu não amas o irmão, não podes amar Deus. E se dizes que amas o teu irmão mas na verdade não o amas, odeia-lo, és um mentiroso», declarou Francisco.





 

Fonte (texto e imagem): Vatican News
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 10.01.2019

 

 
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