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Dignidade do ser humano tem «sérias implicações sociais, económicas e políticas», alerta papa

A «consciência da dignidade de cada ser humano tem sérias implicações sociais, económicas e políticas», vincou hoje o papa, advertindo que os cristãos não só não podem ser «indiferentes nem individualistas», como, em coerência com a sua fé, devem ter «entusiasmo para resolver os dramas da história».

O cristão «concebe e desenvolve as suas capacidades como responsabilidades que brotam da sua fé, como dons de Deus a colocar ao serviço da humanidade e da Criação», «a partir dos últimos, daqueles que são mais atingidos», acentuou Francisco na audiência geral, que decorreu no Vaticano.

Depois de elogiar o empenho, durante a pandemia, de «muitas pessoas» que, «dando prova do amor humano e cristão para com o próximo, dedicando-se aos doentes, mesmo que com risco da sua saúde. São heróis!», o papa vincou que «o coronavírus não é a única doença a combater, mas a pandemia trouxe à luz patologias sociais mais amplas».

«Uma destas é a visão distorcida da pessoa, um olhar que ignora a sua dignidade e o seu carácter relacional. Por vezes olhamos os outros como objetos a usar e lançar fora. Na realidade, este tipo de olhar cega e fomenta uma cultura do descarte individualista e agressiva, que transforma o ser humano num bem de consumo», apontou.

A indiferença e o individualismo «são as duas atitudes brutas contra a harmonia. Indiferente: olho para o outro lado. Individualista: olhar só para o seu interesse. A harmonia criada por Deus pede-nos para olhar os outros, as necessidades dos outros, os problemas dos outros, estar em comunhão».



«Olhar o irmão e toda a Criação como dom recebido do amor do Pai suscita um comportamento de atenção, de cuidado e de maravilhamento. Assim, o crente, contemplando o próximo como um irmão, e não como um estranho, olha-o com compaixão e empatia, não com desprezo e inimizade»



Jesus «propõe outro tipo de visão: a do serviço e do dar a vida pelos outros», pelo que os cristãos são chamados a pedir-lhe «olhos atentos aos irmãos e às irmãs, especialmente para aqueles que sofrem», reconhecendo «em cada pessoa, qualquer que seja a sua raça, língua ou condição, a dignidade humana».

Essa «dignidade é inalienável», porque «criada à imagem de Deus», constitui o «fundamento de toda a vida social, e determina os seus princípios operativos», encontrando na cultura contemporânea a referência mais próxima na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que «S. João Paulo II definiu como “pedra angular” e “uma das mais altas expressões da consciência humana”».

«Olhar o irmão e toda a Criação como dom recebido do amor do Pai suscita um comportamento de atenção, de cuidado e de maravilhamento. Assim, o crente, contemplando o próximo como um irmão, e não como um estranho, olha-o com compaixão e empatia, não com desprezo e inimizade», assinalou.

Ao mesmo tempo que se trabalha com vista à cura de um vírus «que atinge todos de maneira indistinta», a fé impele os cristãos a comprometerem-se «seriamente e ativamente para contrastar a indiferença perante as violações da dignidade humana», mediante «ações concretas de compaixão e respeito por cada pessoa, e de cuidado e salvaguarda» pela «casa comum».

Na saudação aos peregrinos de língua italiana, Francisco convidou os cristãos a imitar o «luminoso exemplo de generosa adesão a Cristo» de Santa Clara de Assis, evocada liturgicamente esta terça-feira.

Antecipando a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, que se celebra este sábado, 15 de agosto, o papa, nas palavras dirigidas aos peregrinos de língua francesa, deixou uma prece: «Possa esta Mãe zelosa reforçar a vossa fé e a vossa esperança, e vos ajude a contrastar sempre o egoísmo, a indiferença e o individualismo, para construir uma sociedade fraterna e solidária».









 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Alex Konon/Bigstock.com
Publicado em 12.08.2020

 

 
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