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Dia Internacional do Livro Infantil: Todos nascemos leitores

Todos nascemos naturalmente leitores, mesmo que a primeira leitura não ocorra seguramente nos livros. De início há a voz doce da mãe que fala, descreve, entoa canções de embalar, e que faz de tudo uma só coisa com o seu abraço terno e perfumado.

O primeiro livro ilustrado do bebé é o rosto da mãe, Do seu olhar a criança extrai um repertório de expressões que lhe falam de emoções. O face a face com a mãe é para a criança uma aprendizagem preciosa, um treinamento para a comunicação e para as relações, que lhe permite deparar-se com uma certa competência par o mundo real, onde encontrará outros rostos, alegres, preocupados, sombrios ou sorridentes, dos quais colhe informações de confiança ou estranheza.

E não só. Esta prática de leitura da mímica facial que exprime diferentes emoções permitirá ao bebé amadurecer outras habilidades úteis para entrar no mundo das coisas representadas, isto e, dos livros, das ilustrações e, mais tarde, das palavras escritas.

É por isso que os livros com rostos nunca devem faltar entre as primeiras leituras. Rostos não só felizes, mas também capazes de comunicar aborrecimento, desgosto, raiva, surpresa, maravilha… E ainda melhor se estiverem ligados a um contexto em que amadureceram as expressões dos protagonistas. A face surpreendida de uma criança que encontra um grande urso, por exemplo, ou o semblante triste e lacrimoso de um ursinho que tem de se separar do seu peluche preferido.



A ninguém é pedida a competência de um especialista ou o talento de um ator, mas os pais devem saber que os seus filhos, mais do que de leitura, têm fome de relação



Trata-se de livros de ligação que permitem à criança rever e consolidar várias expressões emotivas aprendidas na relação com a mãe, e ao mesmo tempo são os primeiros livros com que se familiarizam e começam o percurso de leitores.

De resto, as neurociências e os estudos sobre os neurónios-espelho revelam-no: os bebés gostam de ver os rostos de frente, mais do que de perfil, porque assim podem captar as gradações das expressões. A criança é atraída pelas silhuetas de objetos familiares que experimenta e por imagens realistas, fotográficas. As ilustrações que ela reconhece mais facilmente são aquelas em primeiro plano, com contornos definidos, que separam bem as figuras do fundo.

É assim que o desenho se torna esquema, modelo cognitivo que uma vez adquirido e imaginado, tornará possível o reconhecimento de outros objetos semelhantes e dissemelhantes, enriquecendo o vocabulário das imagens fundamental para toda a aprendizagem.

Os livros são educadores silenciosos, enriquecem a vida e o mundo mágico das crianças. Mas sozinhos não fazem milagres. É fundamental o papel de mediação e partilha dos pais, a sua disponibilidade para se perderem com as histórias, num jogo de cumplicidade.

O livro deve ser lido em conjunto, não só com a voz, os olhos e os ouvidos, mas como todo o corpo. Tocado, cantado e dançado num abraço simbiótico, no qual a criança é soberana. O adulto deve saber respeitar os seus tempos, as observações, as pausas e o seu direito de decidir como ler. Mesmo que de maneira desordenada e sem lógica, enquanto que a mão e os dedos marcam o ritmo da leitura. Passando rapidamente as páginas, saltando as que aborrecem ou detendo-se longamente nas mais convidativas.

A ninguém é pedida a competência de um especialista ou o talento de um ator, mas os pais devem saber que os seus filhos, mais do que de leitura, têm fome de relação.


 

Luigi Paladin, Rossana Sisti
A partir de texto em Avvenire
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: woogies/Bigstock.com
Publicado em 02.04.2019

 

 
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