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«Começa a ver-se gente que tem fome, porque não pode trabalhar», alerta papa

O papa sublinhou hoje que por estes dias, «em algumas partes do mundo, estão a evidenciar-se consequências – algumas consequências – da pandemia; uma delas é a fome», e frisou que a Igreja não pode deixar só para o Governo o cuidado pelos pobres, mesmo com o risco da contaminação.

«Começa a ver-se gente que tem fome, porque não pode trabalhar, não tinha um trabalho fixo, e por muitas circunstâncias. Começamos já a ver o “depois”, que virá mais tarde, mas começa agora. Rezemos pelas famílias que começam a sentir a necessidade por causa da pandemia», disse Francisco na introdução à missa a que presidiu, esta manhã, na casa de Santa Marta.

Na homilia, ao comentar o trecho do Evangelho proclamado nas missas deste sábado (João 7,40-53), o papa vincou que os sacerdotes e religiosas são chamados a sujar as mãos na ajuda aos pobres e doentes, inclusive neste tempo de Covid-19, e nunca devem tornar-se uma elite fechada num serviço religioso afastado do povo, esquecendo que a ele pertencem e a ele devem servir.

«Esta rotura entre a elite dos dirigentes religiosos e o povo é um drama que vem de longe», observou, antes de especificar: «O problema das elites, dos clérigos de elite, é que perderam a memória da sua pertença ao povo de Deus; sofisticaram-se, passaram a uma outra classe social, sentem-se dirigentes. É o clericalismo».

Francisco ligou o seu comentário ao Evangelho à pandemia atual: «Como é que – ouvi nestes dias – estas irmãs, estes sacerdotes, que estão saudáveis, vão ter com os pobres para lhes dar de comer, e podem apanhar o coronavírus? Diga à madre superiora que não deixe sair as irmãs, diga ao bispo que não deixe sair os sacerdotes. Estes são para os sacramentos. Para dar de comer, o Governo que trate disso».



«Pensemos, cada um de nós, de que lado estamos, se estamos no meio, algo indecisos, se estamos com o sentir do povo de Deus, do povo fiel de Deus que não pode falhar; tem aquela “infallibilitas in credendo”. E pensemos na elite que se afasta do povo de Deus, nesse clericalismo»



«É disto que se fala nestes dias: o mesmo argumento. “É gente de segunda: nós somos a classe dirigente, não devemos sujar as mãos com os pobres”», assinalou, acrescentando: «Muitas vezes penso: é gente boa – sacerdotes, irmãs – que não tem a coragem de ir servir os pobres. Alguma coisa está a faltar».

Ao contrário, no contexto de isolamento social vigente, que tem agravado o afastamento de pessoas que, antes, já eram excluídas, há muitos «homens e mulheres qualificados no serviço de Deus que são corajosos e vão servir o povo; tantos sacerdotes que não se afastam do povo».

«Noutro dia, chegou-me uma fotografia de um sacerdote, pároco de montanha (…), num lugar onde neva, e na neve levava o ostensório às pequenas povoações para dar a bênção. Não lhe importava a neve, não lhe importava o ardor que o frio lhe fazia sentir nas suas mãos em contacto com o metal do ostensório: só lhe importava levar Jesus às pessoas», salientou.

A homilia terminou com o convite a um exame de consciência e um apelo: «Pensemos, cada um de nós, de que lado estamos, se estamos no meio, algo indecisos, se estamos com o sentir do povo de Deus, do povo fiel de Deus que não pode falhar; tem aquela “infallibilitas in credendo”. E pensemos na elite que se afasta do povo de Deus, nesse clericalismo».

«E talvez nos faça bem a todos o conselho que Paulo dá ao seu discípulo, o bispo, jovem bispo, Timóteo: “Recorda-te da tua mãe e da tua avó”. Recorda-te da tua mãe e da tua avó. Se Paulo aconselhava isto, era porque sabia bem o perigo ao qual conduzia este sentido de elite nos nossos dirigentes», acentuou.

A celebração foi finalizada com a adoração e bênção eucarística, com o chamamento à Comunhão espiritual.








 

In Vatican News
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: An-T/Bigstock.com
Publicado em 28.03.2020

 

 
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