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Chick Corea: Temos de ser um antídoto para a guerra e para as trevas

«Quero agradecer a todos aqueles que durante a minha viagem me ajudaram. Espero que aqueles que sentem que podem escrever, tocar e atuar o façam. Se não o fizerem por vós próprios, pelo menos fazei-o por nós. O mundo não precisa apenas de mais artistas, também é muito divertido.»

Foi-se embora assim, com esta mensagem para os seus fãs espalhados em todo o mundo, a lenda do jazz Chick Corea, falecido há quase uma semana, a 9 de fevereiro, por causa de uma forma rara de cancro que lhe tinha sido descoberta recentemente. Estava consciente de que estava a chegar aos últimos acordes.

«Foi uma bênção e uma honra aprender e tocar com todos vós», escreveu o grande pianista americano aos músicos com quem tocou. «A minha missão foi sempre a de levar a alegria da criação aonde pude, e tê-lo podido fazer com todos os artistas que admiro foi a riqueza da minha vida.»

Música em palavras, que ressoa com o seu testamento de notas, de “Spain” a “La fiesta”, e sobretudo o álbum “Now he sings, now he sobs”, de 1968, pedra angular da sua carreira e da história do jazz, uma obra-prima de improvisação onde o contrabaixo de Miroslav Vitous e a bateria de Roy Hanes se fundem maravilhosamente com o seu piano.

Pouco depois chegará o telefonema que o lançará no Olimpo do jazz: a de Miles Davis. Corea tocará o piano em alguns discos fundamentais do trombetista: “In a silent way” e “Bitches brew”. Depois continuará o seu caminho, tornando-se com Herbie Hancock e Keith Jarrett um dos mais importantes pianistas jazz daquela geração.

Nos anos de 1970 Corea fundou Return to Forever, banda de referência do movimento jazz-fusion. Em 1986 será a vez dos Elektric Band, quinteto que alguns anos depois de transformará em Akoustic Trio.

Nomeado 67 vezes para os prémios Grammy, venceu a prestigiada distinção 23 vezes, a primeira das quais em 1976, com “No mistery”, interpretado pelos Return to Forever. A sua carreira foi enriquecida com mais de 80 álbuns.

Apesar do seu nome e nacionalidade, em Armando Anthony Corea há sangue italiano: o seu avô paterno partiu da Calábria, como muitos antes e depois dele, para procurar uma vida melhor nos EUA, entre os séculos XIX e XX. Foi ele que o chamou Chick, o nome que o tornou célebre e inconfundível.

«Era um marido, um pai e um avô amado, e era um mentor e um amigo para muitos», lê-se na nota que anunciou a morte. «Através do seu trabalho e as décadas passadas em digressão pelo mundo, tocou e inspirou a vida de milhões de pessoas».

Numa entrevista em 2018, Chick Corea afirmou: «Temos a tarefa de ser um antídoto para a guerra e para todos os lados obscuros daquilo que acontece na Terra. Somos aqueles que devem recordar às pessoas a sua criatividade».









 

Giuseppe Matarazzo
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Chick Corea | D.R.
Publicado em 15.02.2021

 

 
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